Planetaridades Casuais

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Authors: Andrea Ballestero, Miguel da Cruz Almeida Rocha
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Abstract

Consciência planetária tem se tornado sinônimo da consciência de eventos temporais, geográficos e geológicos de larga escala. Dadas as multiplicidades e instabilidades escalares da vida na terra, conceitos como planetaridade, Antropoceno, e mesmo global, têm fornecido alívio analítico. Elas nomeiam aquilo que é difícil de objetificar: a vastidão geográfica e histórica da presença geológica. No entanto, tais conceitos são devedores de hábitos de conhecimento herdados de lógicas imperiais e da Guerra Fria e podem supor a existência de um observador universal capaz de compreender a unidade do planeta enquanto tal. Este artigo explora pressupostos alternativos. Questiona como outras práticas da terra lidam com escalas planetárias de criação de sentido. Conceitualiza essas práticas como formas de planetaridade casual, que, em vez de recorrer a escalas preexistentes, tais como o planeta ou o Antropoceno, produzem sentidos de proximidade e/ou distância entre a vida quotidiana e as implicações geológicas da presença humana. Acompanha o trabalho de geólogos na Costa Rica, que contam com um modelo físico 3D para provocar oscilações escalares que conectam experiências humanas com a vastidão de mundos subterrâneos. Essa associação é tornada possível pelo foco no movimento das águas como uma coreografia hidro-geo-social da vida cotidiana. O artigo mostra como o poder ressonante do modelo 3D, que os geólogos usam para encenar essas coreografias, abre vias para que as pessoas lidem com sua presença geológica sem ter que ver o planeta como um todo ou presumir a capacidade para observação total.

Fields of Study & Subjects

Ecocriticism and Environmental Literature Posthumanist Ethics and Activism Earth Systems and Cosmic Evolution

Publication details

Journal / source
Interseções Revista de Estudos Interdisciplinares
Volume
27
Issue
1
Publication date
13 January 2026
Language
PT