Corpo e discurso: a escrita da maternidade em A filha primitiva, de Vanessa Passos

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Authors: Tiago Pereira da Silva, Elizete Albina Ferreira
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Abstract

Este artigo analisa o romance A filha primitiva, de Vanessa Passos, a partir da crítica feminista negra, destacando como a obra desestabiliza discursos e narrativas sobre maternidade e ancestralidade. A protagonista, nomeada apenas como “Mãe”, atravessa um percurso de autoconhecimento e resistência às estruturas patriarcais e raciais que historicamente moldam e silenciam as mulheres negras. A maternidade é representada como um espaço de tensão simbólica: lugar de opressão, culpa e negação, mas também de reinvenção subjetiva. A ausência de nomes próprios enfatiza o apagamento identitário e a violência simbólica inscrita nos corpos racializados. A escrita emerge como prática de resistência e de reconfiguração do sujeito, tensionando mitos como o do instinto materno e desromantizando o ideal de mãe. O romance articula corpo, discurso e memória, evidenciando como a linguagem literária pode reconfigurar modos de existência e inscrever novas possibilidades de ser mulher negra e mãe no cenário contemporâneo.

Fields of Study & Subjects

Race Identity and Education in Brazil Literature Culture and Criticism Caribbean and African Literature and Culture

Publication details

Journal / source
Palimpsesto
Volume
25
Issue
50
Pages
317–341
Publication date
3 February 2026
Language
PT