Corpo e discurso: a escrita da maternidade em A filha primitiva, de Vanessa Passos
Abstract
Este artigo analisa o romance A filha primitiva, de Vanessa Passos, a partir da crítica feminista negra, destacando como a obra desestabiliza discursos e narrativas sobre maternidade e ancestralidade. A protagonista, nomeada apenas como “Mãe”, atravessa um percurso de autoconhecimento e resistência às estruturas patriarcais e raciais que historicamente moldam e silenciam as mulheres negras. A maternidade é representada como um espaço de tensão simbólica: lugar de opressão, culpa e negação, mas também de reinvenção subjetiva. A ausência de nomes próprios enfatiza o apagamento identitário e a violência simbólica inscrita nos corpos racializados. A escrita emerge como prática de resistência e de reconfiguração do sujeito, tensionando mitos como o do instinto materno e desromantizando o ideal de mãe. O romance articula corpo, discurso e memória, evidenciando como a linguagem literária pode reconfigurar modos de existência e inscrever novas possibilidades de ser mulher negra e mãe no cenário contemporâneo.
Fields of Study & Subjects
Race
Identity
and Education in Brazil
Literature
Culture
and Criticism
Caribbean and African Literature and Culture
Publication details
- Journal / source
- Palimpsesto
- Volume
- 25
- Issue
- 50
- Pages
- 317–341
- Publication date
- 3 February 2026
- Language
- PT