Comunicação Popular: quem faz?
Abstract
O documentário Comunicação Popular: quem faz?, produzido pelo Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC), é uma obra curta, porém intensa, que se debruça sobre experiências de comunicação comunitária nas favelas do Rio de Janeiro.Em pouco mais de 22 minutos, o filme consegue apresentar uma verdadeira aula sobre o que é a comunicação popular, suas funções, desafios e importância social.Logo nas primeiras falas fica evidente que a motivação por trás da comunicação comunitária vai além de qualquer pretensão financeira ou institucional.A fala "faço isso por paixão e por loucura" revela o grau de entrega dos comunicadores e comunicadoras envolvidos nas ações dentro das comunidades.São moradores da própria favela, pertencentes à mesma classe social de seu públicoalvo, que constroem meios de comunicação com um olhar de dentro para fora -o que confere à produção uma legitimidade rara e potente.O documentário mostra como a comunicação popular se propõe a ser um instrumento de resistência, organização política e cidadania.Jornais, rádios, TVs comunitárias e projetos como o Maré de Notícias, a TV Tagarela, a Rádio Santa Marta, entre outros, são apresentados como vozes que ecoam dentro e fora das favelas, oferecendo uma narrativa que contrasta com aquela produzida pela grande mídia, frequentemente pautada por estigmas e criminalização.Um dos destaques do filme é a exposição da lógica midiática tradicional, que tende a retratar a favela sempre de forma pejorativa, como um "não lugar" social, afastado da sociedade, do conhecimento e da política.Em contrapartida, o documentário apresenta a favela como um espaço de cultura, aprendizado e convivência, reforçando o sentimento de pertencimento e de identidade comunitária.A fala "a comunicação popular precisa de movimento popular" sintetiza a ideia de que esse tipo de jornalismo não existe de forma isolada, mas integrada à organização coletiva.Além disso, o documentário também explicita os obstáculos enfrentados pelos próprios comunicadores.O histórico de criminalização das favelas, a presença de facções criminosas e milícias e a ausência de representantes da esquerda política nas periferias do Rio dificultam a atuação livre e segura desses meios.A violência policial também é tratada com realismo -há, inclusive, imagens fortes de mortes e repressão que, embora possam ser sensíveis ao público, cumprem o papel de chocar e mostrar uma realidade invisibilizada.A abordagem do documentário também ganha força ao recuperar experiências históricas, como o Jornal Tagarela e a continuidade do projeto na TV Tagarela, ambos da Rocinha.O resgate de projetos como a ESPOCC (Escola Popular de Comunicação Crítica), do Observatório de Favelas, acrescenta um valor formativo importante ao conteúdo, mostrando
Fields of Study & Subjects
Media and Communication Studies
Media Studies and Communication
Journalism and Media Studies
Publication details
- Journal / source
- Revista de Comunicação Dialógica
- Issue
- 15
- Pages
- 11–14
- Publication date
- 14 January 2026