RACIALIZANDO O FANTASMA: ESPECTRALIDADE E NEONARRATIVAS DE ESCRAVIDÃO EM MORRISON E WARD
Abstract
Este artigo analisa a presença do fantasma nas neonarrativas de escravidão Amada (1987), de Toni Morrison, e Sing, Unburied, Sing (2017), de Jesmyn Ward, compreendendo-o não como elemento exclusivamente sobrenatural mas, sobretudo, como figura social usado para reinscrever experiências negras na literatura contemporânea. Com base nas formulações teóricas sobre as neonarrativas de escravidão definidas por Bernard W. Bell, Ashraf H. A. Rushdy, Nakanishi e Nigro, e Shirley Carreira, o estudo investiga como Morrison e Ward dialogam com as narrativas de escravidão do século XIX, e as reinscrevem por meio de elementos fantásticos e espirituais. O conceito de espectralidade de Avery F. Gordon e Vanesa Lado-Pazos orienta a leitura das figuras fantasmáticas como expressões da dinâmica racial e do luto pelas vidas ceifadas pela escravidão. A análise demonstra que, em Morrison e Ward, o fantasma encarna uma “assombração” de caráter social que busca respostas e justiça, revelando as continuidades entre a violência escravagista e o racismo estrutural contemporâneo. Conclui-se que ambos os romances oferecem novas perspectivas para o gênero das neonarrativas, ao integrar a figura do fantasma ao legado da escravidão e nas dinâmicas das relações raciais contemporâneas.
Fields of Study & Subjects
American Literature and Culture
Gothic Literature and Media Analysis
Utopian
Dystopian
and Speculative Fiction
Publication details
- Journal / source
- Caderno Seminal
- Issue
- 54
- Publication date
- 26 February 2026
- Language
- PT