Empregadas domésticas negras e a Covid-19: afetos e desigualdades em tempos pandêmicos
Abstract
Mulheres negras integram um grupo historicamente explorado e vivenciam opressões intercruzadas de, pelo menos, gênero e raça. Também são cotidianamente subjugadas em razão de um conjunto de vulnerabilidades, conhecidas no cruzamento como “interseccionalidades”. O objetivo dessa pesquisa é compreender as vivências, na encruzilhada destas intersecções, de mulheres negras empregadas domésticas durante a primeira fase da pandemia da COVID-19. Trata-se de pesquisa de abordagem qualitativa, que utilizou a entrevista em profundidade para acessar informações sobre as participantes. O estudo concluiu que apenas o valor oferecido pelo auxílio emergencial, uma política pública implementada durante a pandemia da COVID-19, não foi o suficiente para garantir o isolamento das participantes, posto que tal medida refletiria no padrão de vida das participantes e suas famílias, suscitando a discussão sobre a insegurança laboral inerente à majoritária informalidade das relações laborais referentes ao emprego doméstico. A pesquisa também revelou que, para além de fatores econômicos, outras variáveis também influenciaram na decisão dessas mulheres de permanecerem nos seus postos de trabalho, colocando-as sob constante risco. A vivência dessas mulheres durante o período de lockdown, portanto, foi marcada por intensa instabilidade econômica e familiar. Nesse viés, o estudo, emprega a perspectiva da interseccionalidade para a análise de questões relacionadas ao trabalho doméstico, desvelando histórias de vida de mulheres marcadas pelas manifestações de estruturas sociais que moldaram a formação social brasileira.
Fields of Study & Subjects
Race
Identity
and Education in Brazil
Social and Political Issues
Health
Education
and Cultural Studies
Publication details
- Journal / source
- Revista Sustinere
- Volume
- 13
- Issue
- 2
- Pages
- 706–730
- Publication date
- 5 January 2026
- Language
- PT