Zungus, mídia e a (in)segurança pública:
Abstract
Por contemplarmos o espaço como algo não fechado, mas em constante construção, o presente trabalho tem por objetivo geral compreender os zungus como espacialidades negras responsáveis pela manutenção da cultura afro-diaspórica na cidade do Rio de Janeiro durante o século XIX, apesar do empenho da branquitude em apagar sua memória, através dos projetos de higienização e controle dos corpos. Ao ser condenado em sua própria existência, os corpos negros, tão presentes no cotidiano da cidade, conforme destacam as pinturas de Debret, tem as suas espacialidades usurpadas pelas narrativas construídas e cristalizadas pela branquitude. Por isso, as Geografias Negras têm o papel de [re]construir o espaço a partir de narrativas subalternizadas, pois ao mostrar que toda existência é espacial, tencionam-se as invisibilidades ou até mesmo ocorrem apagamentos idealizados pelo discurso dominante. Para a elaboração do artigo em tela, inicialmente realizamos uma pesquisa documental na hemeroteca digital da Biblioteca Nacional, buscando recuperar notícias de jornais a respeito dos zungus, na segunda metade do século XIX. Em seguida, selecionamos as matérias mais expressivas e utilizamos a metodologia de análise do discurso visando verificar o discurso ideológico nelas embutidos, uma vez que as reportagens não só denunciavam, mas também condenavam as espacialidades negras. Apesar do uso da mídia e da força policial, a cultura afro-diaspórica permanece viva no século XIX, por isso, resgatar as memórias espaciais da população negra, representa recontar a história a partir de outras narrativas e criar novas possibilidades de futuro.
Fields of Study & Subjects
Race
Identity
and Education in Brazil
Afro-Latin American Studies
History of Colonial Brazil
Publication details
- Journal / source
- Revista Tamoios
- Volume
- 22
- Issue
- 1
- Publication date
- 26 January 2026
- Language
- PT