O belo, o feio e o grotesco feminino no digital: tensões estéticas e regulação do corpo em A Substância
Abstract
Este artigo explora as relações entre o belo e o feio, buscando compreender como o grotesco opera como uma categoria estética autônoma que se reconfigura no ambiente digital. As principais perspectivas filosóficas sobre o belo e o feio, partindo da Filosofia Clássica e avançando até os debates estéticos contemporâneos, fundamentam a compreensão de como o grotesco se estabelece como uma linguagem que tensiona os limites entre ordem e disformidade, harmonia e ruptura. No contexto digital, essa estética se manifesta, dentre outras formas, em imagens grotescas do feminino, que questionam padrões hegemônicos de beleza e convenções culturais. O filme A Substância (2024), dirigido por Coralie Fargeat, é utilizado como objeto de análise para examinar essas dinâmicas, fundamentando-se em conceitos como o realismo grotesco (Bakhtin, 1987), o corpo grotesco feminino (Russo, 2000) e o corpo abjeto (Kristeva, 1982). Os resultados apontam que o grotesco feminino no digital oscila entre contestação e reprodução de normas, revelando tensões entre subversão e conformidade. Ao articular o grotesco com a educação estética, a análise evidencia seu potencial crítico, levando o espectador a refletir sobre os mecanismos de opressão que moldam o corpo feminino na contemporaneidade.
Fields of Study & Subjects
Ethics
Aesthetics
and Art
Art
and Perception
Cinema History and Criticism
Publication details
- Journal / source
- EDUCAÇÃO E FILOSOFIA
- Volume
- 39
- Pages
- 1–41
- Publication date
- 28 January 2026
- Language
- PT