Enfermeiros e o luto: uma análise sob a perspectiva da psicanálise
Abstract
As mudanças climáticas se consolidaram como uma das ameaças mais sérias à saúde humana no século XXI, com impactos significativos não apenas ao meio ambiente, mas também aos determinantes sociais de saúde e ao bem-estar psíquico das pessoas.O aumento na frequência e intensidade de fenômenos climáticos extremos como inundações, secas, ondas de calor, incêndios florestais e ciclones tem gerado perdas materiais, deslocamentos forçados, insegurança alimentar e hídrica, (re)surgimento de pandemias e um aumento de doenças transmitidas por mosquitos, causando profundas sequelas socioemocionais.Diante desse panorama, torna-se cada vez mais urgente reconhecer e discutir os efeitos dessas mudanças sobre a saúde mental, especialmente em populações vulnerabilizadas (1) .Evidências têm apontado para uma correlação crescente entre os eventos climáticos extremos e o surgimento ou agravamento de transtornos mentais como ansiedade, depressão, transtorno de estresse pós-traumático, insônia e uso problemático de substâncias psicoativas (1) .Relacionado a isso, desordens emocionais pelo medo do rompimento de vínculos afetivos, instabilidade econômica, perda de bens materiais, moradia ou entes queridos têm provocado um aumento expressivo na ocorrência de estresse, isolamento social, experiências traumáticas e desesperança (2) .Esse cenário tem sido descrito como ecoansiedade ou ansiedade climática.Ecoansiedade é um fenômeno psicossocial caracterizado por medo persistente diante das mudanças climáticas e das incertezas relacionadas ao futuro do planeta, ou ainda à solastalgia, termo que expressa o sofrimento emocional decorrente da degradação ambiental de lugares com forte valor afetivo (2) .Esses fenômenos tendem a afetar, de forma mais intensa, crianças, adolescentes e populações expostas às iniquidades sociais e ao racismo ambiental, especialmente aquelas cujas identidades, modos de vida e vínculos culturais estão intrinsecamente ligados ao ambiente natural, ampliando desigualdades em saúde e vulnerabilidades psicossociais.Nesse contexto, o papel da enfermagem torna-se estratégico.A capilaridade da profissão nos diferentes níveis de atenção à saúde, aliada ao expressivo contingente de profissionais e ao enraizamento territorial, favorece vínculos diretos e contínuos com as comunidades.Não raro, enfermeiras(os) são as(os) primeiras(os) a acolher manifestações de sofrimento psíquico da população, sobretudo em territórios marcados pela vulnerabilidade social.É imperioso reconhecer e abordar precocemente sinais de sofrimento emocional relacionado às mudanças climáticas, oferecer escuta qualificada e acolhimento empático, promover encaminhamentos assertivos, e desenvolver ações de fortalecimento da saúde mental e da resiliência comunitária (1) .Além do cuidado individual, a prática de enfermagem precisa incorporar, de maneira intencional, os princípios da justiça climática e da equidade em saúde, reconhecendo que os impactos da crise climática são desiguais e recaem com maior severidade sobre grupos historicamente marginalizados, isto é, populações afrodescendentes, indígenas, ribeirinhas, pessoas em situação de rua, migrantes ambientais e favelados.Esses grupos vivenciam barreiras estruturais para acessar os serviços de saúde mental, enfrentando
Fields of Study & Subjects
Palliative and Oncologic Care
Psychology and Mental Health
Health
Nursing
Elderly Care
Publication details
- Journal / source
- Revista Brasileira de Enfermagem
- Publisher
- FapUNIFESP (SciELO)
- Volume
- 79
- Publication date
- 1 January 2026