Um Modelo Neopragmatista de Alavancagem Gramatical
Abstract
Resumo: Apresentamos o conceito de alavancagem gramatical como um modelo neopragmatista e anticolonial de transformação normativa, conceitual e afetiva em formas de vida marcadas por dominação e exploração. A partir de Wittgenstein (1953, 1969) e Brandom (1994, 2000), articulados a perspectivas periféricas e quilombolas (Nascimento 2021), defende-se que reverter jogos de linguagem injustos exige não só reconstrução conceitual, mas também reversão afetiva, como a conversão de vergonha em orgulho coletivo entre grupos oprimidos. Com base na hinge epistemology de Wittgenstein, entende-se a gramática como um sistema de dobradiças normativas, ou seja, fulcros de sentido e valor que sustentam as formas de vida. Alavancar a gramática é reorientar esses fulcros, deslocando certezas tácitas que naturalizam hierarquias raciais, patriarcais e coloniais. Reinterpretam-se criticamente o inferencialismo semântico e o expressivismo lógico de Brandom, para incluir dimensões afetivas e corporais da normatividade, compreendendo o significado como parte de uma paisagem inferencial compartilhada. Propõem-se cinco níveis de resistência normativa, da consciência semântica à soberania gramatical, e três modalidades de alavancagem: interfixa (redefinição conceitual), inter-resistente (criação comunitária) e interpotente (reversão afetiva). Assim, alavancar a gramática é mover o mundo: a linguagem deixa de ser cativeiro e se torna território de resistência, autoria e autodeterminação coletivas.
Fields of Study & Subjects
Wittgensteinian philosophy and applications
Decolonial Thought and Epistemologies
Feminist Epistemology and Gender Studies
Publication details
- Journal / source
- Trans/Form/Ação
- Volume
- 49
- Issue
- 1
- Publication date
- 1 January 2026
- Language
- PT