Transformações nas campanhas preventivas do HIV/Aids no Brasil na quarta década da epidemia
Abstract
Resumo O início de mais uma década de uma epidemia ainda distante de controle no cenário global decorre de uma progressiva normalização de seus discursos e representações midiáticas. A proposta de discussão em torno das campanhas preventivas na década mais recente no Brasil pretende estimular reflexões de índole social, política e programática. Observamos uma série de deslocamentos das linguagens, bem como apagamentos de distintas ordens, as quais têm como pano de fundo a implementação de políticas internacionais pautadas na dispensação de medicamentos antirretrovirais, quais sejam: testar e tratar, Tratamento como Prevenção e Prevenção Combinada (especialmente as profilaxias pré- e pós-exposição [PrEP e PEP] e o controle das ISTs). O silenciamento de corpos e identidades não heteronormativos, e o predomínio de uma linguagem abstrata e esquemática nas mensagens oficiais de prevenção, entre 2010 e 2020, cristalizaram a dessexualização da resposta à epidemia. Esses apagamentos também dizem respeito à censura de campanhas nas quais prostitutas e jovens gays protagonizavam as cenas de peças comunicacionais produzidas pelo governo federal. Em suma, o debate pretende contribuir para a compreensão das reconfigurações da agenda político-acadêmica da Aids no Brasil nas quais se articulam a neoliberalização, remedicalização e acirramento dos conservadorismos.
Fields of Study & Subjects
Gender
Sexuality
and Education
Sex work and related issues
Race
Identity
and Education in Brazil
Publication details
- Journal / source
- Physis Revista de Saúde Coletiva
- Publisher
- FapUNIFESP (SciELO)
- Volume
- 36
- Issue
- 2
- Publication date
- 1 January 2026