Enfermagem de Saúde Familiar na Parentalidade: construção de protocolo de consulta promotora da amamentação e funcionalidade familiar
Abstract
O aleitamento materno é universalmente reconhecido como a estratégia de maior impacto na promoção da saúde infantil e materna, constituindo-se como uma base fundamental para o desenvolvimento sustentável das nações. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) “…recomendam o aleitamento materno exclusivo (AME) desde o nascimento (isto é, na primeira meia hora de vida) até aos seis meses e complementado com alimentos nutricionalmente adequados, apropriados e seguros até aos dois ou mais anos de vida…”, assumindo que esta forma de alimentar a criança garante a “…nutrição, proteção imunológica, crescimento e desenvolvimento das crianças, tendo ainda repercussões na saúde da população mundial…”. Apesar da robusta evidência científica e das políticas de saúde pública, as taxas de aleitamento materno, nomeadamente o exclusivo, permanecem baixas a nível nacional, principalmente à medida que a criança cresce, apesar de dos dados serem inexatos, atendendo que os dados que dispomos de forma concertada são poucos e os estudos limitados, mas de acordo com o relatório de 2013 “Registo do aleitamento materno: Relatório janeiro a dezembro 2012” da DGS & Mama Mater (como citado por Sardo, 2016, p.476) o aleitamento materno exclusivo decrescia até representar menos de um quarto das mulheres ao 5º mês de vida “… faziam-no 65,1% na quinta semana de vida; e 54,5%, 50,2%, 35,3%, 22,4% faziam-no respetivamente no segundo, terceiro, quarto e quinto meses de vida.”. O mesmo relatório referente ao ano de 2013, publicado em outubro de 2014 (último publicado), refere que a tendência é o abandono do aleitamento materno “…88,1% (n=209) na 5ª semana de vida… 51,6% (n=1.129) aos 2 meses de vida; … 52,8% (n=407) aos 3 meses de vida; … 35,0% (n=842) aos 4 meses de vida; … 22,1% (n=213) aos 5 meses de vida.” (DGS & Mama Mater, 2014, p.24). Importa perceber se as abordagens tradicionais, frequentemente focadas exclusivamente na díade mãe-bebé, são insuficientes para superar as complexas barreiras que as famílias enfrentam. A decisão de amamentar e a sua continuidade não são atos isolados da mulher, mas sim um processo profundamente influenciado pelo contexto familiar. O apoio do parceiro, a dinâmica das relações familiares, as crenças culturais e a partilha de responsabilidades – em suma, a funcionalidade familiar – emergem como fatores determinantes para o sucesso da amamentação. Neste contexto, a Enfermagem de Saúde Familiar assume um papel central e insubstituível. O enfermeiro, através da sua proximidade com a comunidade e da sua visão holística, está numa posição privilegiada para avaliar e intervir não apenas na técnica da amamentação, mas em todo o sistema familiar que a sustenta. Contudo, para que esta intervenção seja eficaz, sistemática e equitativa, é imperativo que se baseie em práticas sustentadas pela melhor evidência científica disponível, organizadas sob a forma de um protocolo clínico. Um protocolo de consulta estruturado permite padronizar o cuidado, garantir a sua qualidade, facilitar a formação de profissionais e avaliar os resultados das intervenções.
Fields of Study & Subjects
Breastfeeding Practices and Influences
Public Health and Nutrition
Maternal and Neonatal Healthcare
Publication details
- Journal / source
- Open Science Framework
- Publication date
- 1 January 2026