EU ME VEJO INDO ATÉ O BOSQUE E DEIXANDO O CARRINHO IR LADEIRA ABAIXO

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Authors: Flávia Theis Junges, Fabiane Pacheco da Cunha, Janaina Dos Santos Puchalski
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Abstract

O artigo propõe uma leitura crítica do romance Morra, amor, de Ariana Harwicz, a partir do diálogo com a historiografia e a teoria social sobre a normatização dos corpos femininos. A narrativa, marcada por um fluxo de consciência caótico e sensorial, apresenta uma personagem materna que desafia os modelos tradicionais de maternidade. Com base em Badinter (1985), analisam-se os dispositivos históricos que naturalizaram o papel da mãe como centro moral da família. A obra evidencia uma maternidade vivida com angústia, hostilidade e desejo de ruptura, refletindo os efeitos subjetivos das imposições sociais. A personagem não representa uma anomalia, mas sim o sintoma de um modelo que oprime e silencia. Sua recusa em performar o ideal materno é lida como um gesto de subversão, trazendo a importância de se desnaturalizar a maternidade e escutar experiências que rompem com o mito da mãe ideal.

Fields of Study & Subjects

Gender and Feminist Studies Latin American Literature Analysis Literary Theory and Cultural Hermeneutics

Publication details

Journal / source
História e Cultura
Volume
14
Issue
2
Pages
75–108
Publication date
6 January 2026
Language
PT