A "AVÓ PEGA NO LAÇO":
Abstract
O apagamento dos povos indígenas no Brasil é um processo histórico que envolveu/envolve tanto as tentativas de eliminação física quanto a desapropriação de seus territórios pelo colonialismo europeu. Esta lógica de apagamento pode ser compreendida como uma ação externa de extinção e dissolução dos grupos indígenas, mas também como um movimento interno de articulação identitária como forma de resistir ao colonialismo. Esses processos de dissolução incluem a política de miscigenação oficialmente incentivada, as classificações identitárias impostas pelos censos e a fragmentação dos direitos territoriais. Este artigo propõe revisão crítica dos dispositivos legais e políticos entre os séculos XVI e XXI, buscando compreender as dinâmicas de poder que impactaram o reconhecimento das identidades étnicas e socioculturais dos povos indígenas. A pesquisa fundamenta-se nos conceitos de [1]etnogênese (Oliveira, 1998; Bartolomé, 2006; Voss, 2008, 2015) e reemergência (Porto Alegre, 1998; Supernant, 2021), que ressaltam o caráter político da persistência e do surgimento de novas identidades. Nesse período, a categoria “indígena” foi moldada e por vezes, suprimida pela legislação e pelas políticas públicas ao longo da história. O artigo investiga os mecanismos que levaram ao desaparecimento de povos e identidades dos registros oficiais, bem como os processos contemporâneos de rearticulação étnica.
Fields of Study & Subjects
Indigenous Cultures and History
Indigenous Studies in Latin America
Migration
Education
Indigenous Social Dynamics
Publication details
- Journal / source
- Revista Habitus - Revista do Instituto Goiano de Pré-História e Antropologia
- Volume
- 23
- Issue
- 3
- Publication date
- 24 February 2026
- Language
- PT