REFLORESTAMENTO E SUSTENTABILIDADE: TERRITÓRIOS AGROECOLÓGICOS COMUNITÁRIOS COMO PRÁTICAS DE RESISTÊNCIA, JUSTIÇA AMBIENTAL E REGENERAÇÃO SOCIOECOSSISTÊMICA
Abstract
Nas últimas décadas, a intensificação das crises climáticas, o avanço do desmatamento, a expansão do agronegócio em larga escala e a financeirização dos bens naturais têm aprofundado desigualdades socioambientais e tensionados os modos de vida de comunidades rurais, povos tradicionais e populações periféricas. O modelo hegemônico de desenvolvimento, orientado pela lógica extrativista e produtivista, tem produzido degradação dos ecossistemas, erosão da biodiversidade e precarização das relações sociais nos territórios. Nesse cenário, o debate sobre reflorestamento deixa de ser apenas uma pauta técnica vinculada à compensação ambiental e passa a ser compreendido como campo político de disputa sobre o uso da terra, a soberania alimentar e os direitos coletivos. Paralelamente, emergem experiências comunitárias que articulam agroecologia, reflorestamento participativo e gestão coletiva dos recursos naturais, configurando práticas concretas de resistência frente às dinâmicas de expropriação territorial. É nesse contexto que o presente artigo toma como objeto de análise os territórios agroecológicos comunitários enquanto estratégias de reflorestamento socioecossistêmico, investigando suas dimensões ecológicas, sociais, políticas e pedagógicas. Interessa compreender como tais experiências, ao integrarem sistemas agroflorestais, produção de alimentos, recomposição de matas nativas e organização comunitária, produzem alternativas ao paradigma desenvolvimentista dominante. Mais do que restaurar áreas degradadas, esses territórios reconstroem vínculos entre pessoas e natureza, fortalecem redes de solidariedade e promovem justiça ambiental ao priorizar o cuidado com a terra e com a vida. Como pergunta de partida, indaga-se: em que medida os territórios agroecológicos comunitários podem ser compreendidos como práticas efetivas de reflorestamento articuladas à justiça ambiental e à regeneração socioecossistêmica, capazes de enfrentar as desigualdades territoriais e propor novos horizontes de sustentabilidade? Teoricamente, fizemos uso dos trabalhos de Acselrad (2009; 2014), Brandão (1984), Bullard (1999; 2000), Capra (1997; 2002; 2006), Dardot (2016), Escobar (2011; 2014; 2017), Götsch (1997), Gudynas (2014; 2015), Haesbaert (2006), Harvey (1991; 2006; 2008; 2010; 2013; 2021), Janssen (2010), Leff (1998; 2001; 2006; 2014), Löwy (2011; 2014), Martínez-Alier (2002; 2015), Ostrom (2005; 2010; 2015), Porto-Gonçalves (2006; 2012; 2016), Sachs (2009), Santos (2001; 2002; 2008; 2014; 2019), Shiva (2002; 2015; 2016), entre outros. A pesquisa é qualitativa (Minayo, 2007), descritiva e bibliográfica (Gil, 2008) e com o viés analítico compreensivo (Weber, 1949). Os resultados indicam que os territórios agroecológicos comunitários configuram práticas efetivas de reflorestamento articuladas à justiça ambiental e à regeneração socioecossistêmica, ao integrarem recuperação ecológica, produção de alimentos e organização coletiva do território. Evidenciou-se que tais experiências enfrentam desigualdades territoriais ao fortalecer a autonomia comunitária, a segurança alimentar e hídrica e a reapropriação social dos bens comuns. Constatou-se, ainda, que esses arranjos projetam horizontes de sustentabilidade ancorados na cooperação, na diversidade ecológica e na democratização do poder territorial.
Fields of Study & Subjects
Rural Development and Agriculture
Agriculture
Land Use
Rural Development
Rural and Ethnic Education
Publication details
- Journal / source
- Veredas do Direito Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustentável
- Publisher
- Brazilian Journals
- Volume
- 23
- Pages
- e235146–e235146
- Publication date
- 3 March 2026