ESPAÇO URBANO, DISTRIBUIÇÃO DE INFRAESTRUTURA E RISCOS: ANÁLISE DA OCUPAÇÃO EM ENCOSTAS INSTÁVEIS, MARGENS DE RIOS POLUÍDOS E ÁREAS AMBIENTALMENTE VULNERÁVEIS NO CONTEXTO DA URBANIZAÇÃO DESIGUAL

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Authors: Carlos Alves Gomes Dos Santos, Renato Marchesini, Rodrigo Oliveira Miranda, Rachel Cassiano de Sousa Lima, Maria Eliana Barreto Druzian, Luiz Antonio Picoli Guimarães, Deusdete Pereira de Miranda Filho, Nélio Vitor Alves Siebra, Grazielle Caldas Rocha Leite, Bruno Braulino Batista, Flavio Magalhães Costa, Denis Moura de Oliveira Rocha
+3 more Thais Reis Silva Rocha, Francisco Libério César Feitosa De Araújo, Sérgio José de Souza Neves Júnior
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Abstract

O crescimento acelerado das cidades brasileiras tem sido marcado por profundas desigualdades socioespaciais que influenciam diretamente a forma como a população ocupa o território urbano. A insuficiência de políticas habitacionais, o acesso desigual à infraestrutura e a valorização seletiva do solo urbano têm contribuído para a concentração de grupos socialmente vulneráveis em áreas sujeitas a diferentes tipos de riscos ambientais. Nesse cenário, a ocupação de encostas instáveis, margens de rios poluídos, áreas de inundação e outros espaços ambientalmente frágeis revela a estreita relação entre urbanização desigual, segregação socioespacial e exposição diferenciada aos impactos ambientais. O presente artigo tem como objeto de pesquisa a ocupação de áreas ambientalmente vulneráveis no contexto da urbanização desigual, considerando a distribuição da infraestrutura urbana, os processos de segregação socioespacial e a exposição das populações aos riscos ambientais. A investigação parte da seguinte pergunta: de que maneira a distribuição desigual da infraestrutura urbana influencia a ocupação de encostas instáveis, margens de rios poluídos e outras áreas ambientalmente vulneráveis, ampliando a exposição de determinados grupos sociais aos riscos ambientais? Teoricamente, fizemos uso dos trabalhos de Cutter (2001), White (1942), Santos (2006; 2025), Harvey (2008; 2009), Ab’Sáber (2003), Wisner e Adams (2003), (1999), Paton e Johnston (2017), Maricato (2015), Lefebvre (2000; 2008; 2016), Rolnik (2015), Tricart (1977), Ross (1990), Hewitt (1997; 2019), Pelling (2003; 2010), D’Amico e De Pascale (2023), entre outros. A pesquisa é qualitativa (Minayo, 2007), descritiva e bibliográfica (Gil, 2008) e com o viés analítico compreensivo (Weber, 1949). A pesquisa demonstrou que a distribuição desigual da infraestrutura urbana constitui um dos principais fatores responsáveis pela ocupação de áreas ambientalmente vulneráveis, intensificando a exposição de populações socialmente fragilizadas aos riscos ambientais. Também evidenciou que a urbanização desigual modifica a dinâmica dos sistemas naturais, potencializando processos erosivos, enchentes, deslizamentos e outros desastres, cuja incidência recai de forma seletiva sobre determinados territórios. Constatou-se, também, que o enfrentamento dessas desigualdades depende da articulação entre planejamento territorial, políticas habitacionais, recuperação ambiental, ampliação da infraestrutura urbana e fortalecimento da gestão participativa como bases para a construção de cidades mais justas, resilientes e ambientalmente sustentáveis.

Fields of Study & Subjects

Urban Development and Societal Issues Urban Arborization and Environmental Studies Environmental Sustainability and Education

Publication details

Journal / source
Veredas do Direito Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustentável
Publisher
Brazilian Journals
Volume
23
Issue
10
Pages
e237305–e237305
Publication date
1 July 2026