A PALAVRA COMO TERRITÓRIO DE RESISTÊNCIA
Abstract
Este artigo analisa os sentidos de currículo e socioeducação presentes nas vozes de docentes que trabalham em uma escola pública estadual localizada em território periférico de Belém, Pará, a qual também atende adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa em meio aberto, na modalidade Liberdade Assistida. Ancorada na filosofia da linguagem de Bakhtin, na pedagogia dialógica de Paulo Freire e nas contribuições de Miguel Arroyo, bem como na perspectiva curricular de Gimeno Sacristán, a investigação compreende a palavra docente como ato responsivo, valorado e ideologicamente situado. O corpus é constituído por entrevistas semiestruturadas com quatro professores de diferentes áreas do conhecimento, articuladas à leitura de documentos normativos da educação básica. A análise dialógica discursiva permitiu interpretar tensões entre currículo prescrito e currículo vivido, revelando conflitos, resistências e práticas orientadas à justiça social. As categorias bakhtinianas de dialogismo, responsividade, valoração, vozes ideológicas, polifonia e alteridade sustentam a leitura das enunciações docentes, enquanto a compreensão de Sacristán acerca do currículo como prática social e politicamente disputada aprofunda a análise das mediações pedagógicas produzidas em contextos de vulnerabilidade. Conclui-se que a palavra docente se configura como território de disputa simbólica e de produção de sentidos ético-políticos na socioeducação em meio aberto.
Fields of Study & Subjects
Education Pedagogy and Practices
Linguistics and Education Research
Critical and Liberation Pedagogy
Publication details
- Journal / source
- Saberes Revista interdisciplinar de Filosofia e Educação
- Volume
- 26
- Issue
- 1
- Pages
- FI04–FI04
- Publication date
- 23 February 2026
- Language
- PT