Nope: uma parábola sobre o aparato do cinema
Abstract
Nope (Jordan Peele, 2022) segue OJ e Emerald Haywood, dois irmãos que trabalham nos bastidores da indústria cinematográfica. Uma sequência estranha de eventos leva os irmãos a suspeitar de que existe um Objeto Voador Não Identificado a sobrevoar a sua quinta. De maneira a provar a existência do OVNI, os Haywood tentam registar a sua imagem, mas, ao fazerem-no, apercebem-se de que o ser que se encontra escondido no céu captura os que o olham, agindo como um aparelho cinematográfico. Dado este enquadramento, o presente ensaio examina como é que Nope, recorrendo aos moldes do género de terror, elabora uma metáfora que interroga o poder do aparato do cinema e dos dispositivos que o constituem. Partindo da análise de como as imagens em movimento e os aparelhos que as produzem são representados, esta investigação reflete acerca de como o cinema constrói visibilidades, condiciona perceções e programa afetividades. O objetivo é apurar de que modo esta parábola autorreflexiva questiona a forma como o aparato do cinema influencia os modos de pensar e sentir do ser humano e a maneira como este se orienta numa realidade espetacularizada, criada pela imagem.
Fields of Study & Subjects
Cinema History and Criticism
Gothic Literature and Media Analysis
Literature
Film
and Journalism Analysis
Publication details
- Journal / source
- Diacrítica
- Volume
- 39
- Issue
- 3
- Publication date
- 3 February 2026
- Language
- PT