Escrever devagar com máquinas: poesia gerada por IA e o paradoxo da criação acelerada
Abstract
Este artigo propõe uma reflexão crítica sobre a poesia gerada por Inteligência Artificial (IA), interrogando o paradoxo entre a aceleração maquínica da produção textual e a lentidão requerida pela leitura e pela experiência estética. Partindo da recusa em validar a máquina enquanto sujeito poético autónomo, defende-se a sua apropriação como espaço experimental e material crítico. A análise incide sobre textos produzidos por modelos de linguagem a partir de prompts humanos e de prompts propostos pelo próprio chatbot, com enfoque nas temáticas das sexualidades e das identidades. Examina-se de que modo a IA revela tendências de simplificação e homogeneização estética, mas também como, a partir dessas imagens finais devolvidas pelo chatbot, se abrem possibilidades de análise crítica. A poesia produzida pela máquina surge, assim, como lugar de tensão entre limites e potencialidades, exigindo do leitor um papel ativo: é na leitura lenta e atenta que se reinscrevem os textos, transformando-os em espaço de resistência simbólica e em horizonte de reflexão ética e estética.
Fields of Study & Subjects
Literary and Philosophical Studies
Art
Technology
and Culture
Artistic and Creative Research
Publication details
- Journal / source
- H2D|Revista de Humanidades Digitais
- Volume
- 8
- Issue
- 1
- Pages
- e6987–e6987
- Publication date
- 6 February 2026
- Language
- PT