Branco Sai, Preto Fica?
Abstract
Este artigo tem como objetivo debater questões relacionadas a tentativas de apropriação cultural do rap por artistas brancos a partir de uma consideração sobre os sucessos e insucessos dos oito rappers brancos mais bem-sucedidos na década de 2010 nos Estados Unidos: Eminem, Iggy Azalea, Macklemore, Mac Miller, G-Eazy, Post Malone, Logic e Machine Gun Kelly. Aponta-se que artistas brancos que se apropriaram da música negra nos Estados Unidos tiveram seus comportamentos (e reações a eles) enquadrados pelo roteiro do descobrimento, em que uma figura branca exploradora se depara com um território desbravado povoado de figuras “exóticas” e se põe a explorar os vastos recursos desse território, desconsiderando os “nativos” indefesos. Analisando as controvérsias em torno desses rappers, vê-se que esse roteiro ainda é ativado no gênero, mas com menos eficácia que em outros gêneros “apropriados” como rock, blues e jazz, seja pela fugacidade do sucesso desses rappers brancos, por eles tentarem se colocar como “aliados” ou por abandonar esses territórios rumo a paragens mais próximas de casa. A partir daí, se discutem as diferenças no ecossistema midiático entre meados do século XX e o presente, o status do rap como música negra e a utilidade do papel de tradutor desempenhado pelos rappers brancos.
Fields of Study & Subjects
Music History and Culture
Cultural Identity and Representation
Race
Identity
and Education in Brazil
Publication details
- Journal / source
- Intexto
- Publisher
- Universidade Federal do Rio Grande do Sul
- Issue
- 58
- Publication date
- 15 July 2026
- Language
- PT