Etnografia da ficção no cinema
Abstract
O presente artigo investiga como os cineastas Adirley Queirós e Joana Pimenta, em seu longa-metragem Mato seco em chamas (2022), criam uma teoria cinematográfica sobre a etnografia da ficção, problematizando questões relacionadas a território, cultura e memórias periféricas. Nossa investigação parte de conceitos propostos pelos cineastas em diálogo com proposições de outros autores discutidos no texto, por exemplo, acerca de noções sobre periferia como lugar de cultura e potência (D’Andrea, 2013; Santos, 2001) e modelos de produção vinculados à lógica dos coletivos audiovisuais (Venanzoni, 2021). A hipótese investigada diz respeito à etnografia da ficção como uma formulação cinematográfica localizada, enquanto construção narrativa, no limiar entre a ficção e o documentário e, em termos de produção, voltada à própria coletividade das periferias do Distrito Federal. Ficcionalizando a história de pessoas e acontecimentos reais, a etnografia da ficção cria um espaço fabular onde a periferia se torna o centro de sua própria representação. Por meio de códigos e arquétipos da ficção científica e do western, os cineastas transformam as memórias reais de três mulheres periféricas em uma lenda que funda uma nova nação nas cidades-satélites do Distrito Federal.
Fields of Study & Subjects
Urban and sociocultural dynamics
Arts and Performance Studies
Corporeality
Perception
and Education
Publication details
- Journal / source
- Rebeca - Revista Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
- Volume
- 14
- Issue
- 2
- Publication date
- 5 January 2026
- Language
- PT