(Des)conexões possíveis
Abstract
O anúncio de um novo filme da produtora Filmes de Plástico em parceria com a Netflix (Carneiro, 2024), em meio ao debate sobre a regulação do vídeo sob demanda (VOD) no Brasil, gerou surpresa e questionamentos. À primeira vista, as trajetórias da produtora cinematográfica mineira e da plataforma multinacional parecem divergentes. Este trabalho analisa o significado desse encontro, que explicita o projeto político da Netflix ao buscar se afirmar como agente relevante para o audiovisual e a cultura brasileira — estratégia já aplicada em outros países para conter demandas por regulação e garantir sua posição hegemônica. A análise se desenvolve em duas frentes. De um lado, examina a trajetória de 15 anos da Filmes de Plástico marcada por obras de forte enraizamento local e reconhecimento internacional. De outro, investiga o interesse da Netflix nessa associação e os possíveis caminhos para o cinema brasileiro, que combinam oportunidades de visibilidade e circulação com riscos de subordinação às lógicas de mercado e de fragilização da autonomia cultural. Tomando como referencial os estudos de Fernandes e Albornoz (2023) sobre a atuação da Netflix na Espanha e no México, bem como análises do papel das plataformas no audiovisual mundial, com Dal Young Jin (2013, 2023), o trabalho discute como a parceria pode funcionar como parte das estratégias de cooptação, com repercussões para as políticas públicas e para a dinâmica contemporânea do cinema brasileiro. Em última instância, indaga-se se tal colaboração não antecipa um redesenho do audiovisual nacional sob a lógica das plataformas globais.
Fields of Study & Subjects
Aviation History and Innovations
Digital Media and Philosophy
Cultural and Social Dynamics
Publication details
- Journal / source
- Rebeca - Revista Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
- Volume
- 14
- Issue
- 2
- Publication date
- 5 January 2026
- Language
- PT