Entre invisibilização e revisão empírica: a construção historiográfica da escravidão no interior de Pernambuco e em Caruaru
Abstract
A historiografia da escravidão no Brasil foi, por longo tempo, estruturada a partir de um eixo interpretativo centrado no litoral, especialmente nas regiões de plantation açucareira e, posteriormente, nas áreas mineradoras.Em Pernambuco, essa perspectiva consolidou a Zona da Mata e o Recife como referências privilegiadas para a compreensão do regime escravista, convertendo sua experiência histórica em paradigma explicativo da escravidão provincial.Como consequência, o Agreste e o Sertão foram frequentemente concebidos como espaços periféricos, marcados por economias frágeis e uso reduzido da mão de obra cativa, reforçando a ideia de um escravismo interiorano residual.Essa leitura, influenciada por abordagens estruturalistas e economicistas, contribuiu para a oposição entre litoral e interior, plantation e pecuária, modernidade e atraso, relegando as dinâmicas sertanejas a um plano secundário.Paralelamente, a produção memorialista local enfatizou famílias colonizadoras e marcos institucionais, tratando a escravidão como elemento marginal na formação regional.A partir da década de 1980, contudo, pesquisas fundamentadas em inventários post-mortem, registros paroquiais, documentação cartorial e estudos demográficos passaram a demonstrar que a presença de escravizados no Agreste e no Sertão pernambucanos foi mais significativa do que indicava a historiografia clássica.Estudos quantitativos e micro-históricos evidenciaram a inserção dos cativos nas atividades
Fields of Study & Subjects
History of Colonial Brazil
Colonialism
slavery
and trade
Historical and Cultural Archaeology Studies
Publication details
- Pages
- 64–86
- Publication date
- 16 January 2026
- Language
- PT
- Document type
- Book chapter