Diversidade de flora arbórea e arbustiva em fragmentos de Floresta Ombrófila Mista da Região Centro-Sul do Paraná
Abstract
O Terceiro Planalto Paranaense ainda carece de levantamentos florísticos e pesquisas direcionadas à sua flora, resultando em um conhecimento limitado sobre a diversidade vegetal da região.Essa ausência de informações dificulta a compreensão da distribuição das espécies, a definição de áreas prioritárias para conservação e até mesmo a identificação de táxons raros ou endêmicos, potencialmente ameaçados pela expansão agrícola e urbana.Com essa perspectiva, o presente estudo realizou um levantamento florístico das espécies arbóreas e arbustivas em três fragmentos de Floresta Ombrófila Mista, localizados em quatro Unidades de Conservação (UCs) nos municípios de Campina do Simão e Turvo, região Centro Sul do Paraná, buscando conhecer a diversidade de espécies e seus status de conservação, métodos de dispersão e período fenológico, em auxílio ao manejo destas áreas de proteção ambiental. ÁREA DE ESTUDOO presente estudo foi conduzido em três fragmentos florestais localizados em Unidades de Conservação (UCs) nos municípios de Campina do Simão (25°04'08'' S, 51°49'31'' W) e Turvo (25º02'24'' S, 51º31'58'' W), ambos situados na região Centro-Sul do Paraná, totalizando uma área de 1470,11 ha.Em Campina do Simão, as coletas foram realizadas nas Estações Ecológicas Capivara I e II, que formam um 19 CAPÍTULO2 Diversidade de flora arbórea e arbustiva em fragmentos de Floresta Ombrófila Mista da Região Centro-Sul do Paraná fragmento contínuo de 770,78 ha.No município de Turvo, o estudo contemplou as Estações Ecológicas Municipais Rio Bonito (392,73 ha) e Felippe Paulo Rickli (306,60 ha).Em todos os fragmentos, a vegetação é classificada como Floresta Ombrófila Mista (FOM), fitofisionomia característica do bioma Mata Atlântica.As áreas de estudo estão inseridas no Terceiro Planalto Paranaense, em municípios vizinhos que apresentam altitudes médias de 994 m (Campina do Simão) e 1.040 m (Turvo) (Câmara Municipal de Campina do Simão, 2024; Secretaria Municipal de Turvo, 2024).As Estações Ecológicas Capivara I e II localizam-se a aproximadamente 22,8 km a oeste da Estação Ecológica Municipal Felippe Paulo Rickli, ambas na mesma faixa latitudinal.Já a Estação Ecológica Municipal Rio Bonito dista cerca de 29,5 km das Capivara I e II e 12,6 km da Felippe Paulo Rickli.O clima regional é classificado como Subtropical Úmido Mesotérmico (Cfb), segundo Köppen, caracterizado por verões amenos, ocorrência de geadas severas e chuvas bem distribuídas ao longo do ano, com maior concentração entre janeiro e março.Essa condição climática, aliada aos solos do tipo Latossolos Brunos e Neossolos Litólicos, atua como um filtro ambiental severo, selecionando uma flora adaptada ao frio intenso e à acidez do solo.A pluviosidade anual varia de 1.600,1 a 1.800 mm em Turvo e de 1.800,1 a 2.000 mm em Campina do Simão, enquanto a temperatura média anual oscila entre 17,1 e 18 °C (Nitsche et al., 2019).Campina do Simão está inserido na subárea A (alta) da bacia hidrográfica do rio Piquiri, cuja nascente localiza-se entre os municípios de Guarapuava e Turvo.O rio apresenta leito meandrante em função do relevo, com área de drenagem de 24.731 km², delimitada entre os paralelos 23°38' e 25°19' S e os meridianos 51°37' e 54°07' W, em altitudes que variam de 1.080 a 350 m.A região é marcada por atividades pecuárias e extrativistas, reflorestamento com Pinus spp.e remanescentes preservados de vegetação nativa (Iniciativa Verde, 2014).O município de Turvo, por sua vez, está situado entre as bacias hidrográficas do Ivaí e do Piquiri, sendo a primeira responsável pela maior parte de sua drenagem.O rio Ivaí nasce entre Guarapuava e Inácio Martins, no Terceiro Planalto Paranaense, e abrange uma área de drenagem de 23.195 km².Entre os principais usos associados à bacia do Alto Ivaí destacam-se o abastecimento público e industrial, a geração de energia hidrelétrica, além das atividades pecuárias e agrícolas intensivas (Secretaria De Estado Do Desenvolvimento Sustentável E Do Turismo, 2012). ESTUDO FLORÍSTICOEste trabalho utilizou o banco de dados do Herbário ARAUCA, localizado na Universidade Estadual do Centro-Oeste, contendo informações dos fragmentos desde 2017.De forma complementar, foram realizadas coletas nas Estações Ecológicas 20 CAPÍTULO2 Diversidade de flora arbórea e arbustiva em fragmentos de Floresta Ombrófila Mista da Região Centro-Sul do Paraná durante a primavera de 2024 (setembro, outubro e novembro), empregando o método de caminhamento (Filgueiras et al., 1994) em trilhas, clareiras e áreas de mata fechada, visando a coleta e herborização de indivíduos lenhosos com capacidade de autossustentação (Lorenzi & Gonçalves, 2011).As coletas foram realizadas com o uso de facão e tesoura de poda, priorizando indivíduos em estado fértil, conforme as recomendações de Peixoto & Maia (2013).O material foi prensado entre folhas de jornal e papelão com auxílio de prensas de madeira e submetido à secagem em estufa a 50 °C. Identificação e classificação taxonômicaA identificação seguiu o sistema APG IV ( 2016), por meio de chaves taxonômicas, como a de Souza e Lorenzi (2019), literatura especializada, comparação com exsicatas depositadas no Herbário ARAUCA e consulta a bancos de dados online, como Reflora (https://floradobrasil.jbrj.gov.br),SpeciesLink (https://specieslink.net/) e GBIF (https://www.gbif.org/).O status de conservação das espécies foi definido segundo os critérios do CNCFlora (http://cncflora.jbrj.gov.br/portal),enquanto a origem e o endemismo foram determinados a partir das informações disponibilizadas pelo Flora e Funga do Brasil.Quanto ao grupo ecológico, as espécies foram classificadas em pioneiras, secundárias e clímax conforme proposto por Gandolfi et al. (1995) e a síndrome de dispersão seguiu as categorias de Pijl (1982): anemocóricas, quando as sementes ou frutos apresentam características propícias para dispersão pelo vento; autocóricas, quando a dispersão ocorre por gravidade ou mecanismos de deiscência explosiva e zoocóricas, quando os diásporos possuem atributos que indicam a dispersão realizada por animais.Complementarmente, foi consultada literatura especializada para auxiliar na classificação das espécies. RESULTADOS E DISCUSSÃO Composição FlorísticaO presente estudo registrou para três áreas da região Centro-Sul do Paraná 203 espécies distribuídas em 49 famílias e 107 gêneros, sendo 123 arbustos e 80 árvores, totalizando 495 indivíduos coletados e uma espécie registrada apenas fotograficamente, a Araucaria angustifolia (Anexo 1).Do total, 6,45% dos indivíduos foram identificados somente até família ou gênero e, portanto, não foram considerados nessa pesquisa.
Fields of Study & Subjects
Botany and Plant Ecology Studies
Environmental and biological studies
Ecology and Vegetation Dynamics Studies
Publication details
- Pages
- 16–56
- Publication date
- 6 January 2026
- Document type
- Book chapter