A REVOLUÇÃO FRANCESA NA IMAGINAÇÃO LÍRICA DE EUCLIDES DA CUNHA
Abstract
Este artigo analisa a presença da Revolução Francesa na imaginação lírica de Euclides da Cunha, a partir dos poemas de temática revolucionária reunidos no caderno Ondas (1883–1884). Escritos durante o período de formação do autor no Colégio Aquino, sob influência do ideário positivista e republicano, esses textos revelam um jovem profundamente marcado pela simbologia iluminista e pela estética do sublime. O poema “Correi, rolai, correi – ondas sonoras” instaura a metáfora marítima como núcleo estruturador da obra, convertendo as ondas em alegoria dos ideais revolucionários que atravessam o “pélago deserto” do sujeito lírico e o projetam rumo ao porvir. A análise demonstra que a dialética entre luz e treva, glória e terror, esperança e desânimo organiza não apenas a imagética do mar, mas também os sonetos dedicados a figuras como Danton, Marat, Robespierre, Saint-Just, Madame Roland e Luiza Michel. Nesses poemas, a Revolução Francesa é reinterpretada como energia estética e moral que ecoa além de seu tempo histórico, configurando-se como força transnacional capaz de influenciar a juventude brasileira pré-republicana. Assim, em Ondas, a história é transfigurada em imaginação poética, e a Revolução se converte em símbolo de transcendência.
Fields of Study & Subjects
Literature
Culture
and Criticism
French Literature and Poetry
Poetry Analysis and Criticism
Publication details
- Journal / source
- Revista Políticas Públicas & Cidades
- Volume
- 15
- Issue
- 2
- Pages
- e3222–e3222
- Publication date
- 25 February 2026
- Language
- PT