Jornalismo Literário na intersecção histórica: o caso do livro Furriel não é Nome de Pai: Os filhos que os militares portugueses deixaram na Guerra Colonial, de Catarina Gomes
Abstract
Em 2014, a jornalista Catarina Gomes publicou o livro Pai, tiveste medo?, em que descreve a forma como o tema da Guerra Colonial Portuguesa chegou à geração dos portugueses filhos de ex-combatentes. Das suas idas à Guiné-Bissau, Angola e Moçambique nasceram várias reportagens sobre filhos que nasceram de soldados portugueses em África que lhe valeram os Prémios Gazeta (multimédia), o Prémio AMI — Jornalismo Contra a Indiferença e o Prémio Internacional de Jornalismo Rei de Espanha. Quebrou o silêncio e o tabu ao relatar a vida de crianças que procuravam os seus pais numa reportagem para o jornal Público. Em 2018, publicou-a em formato livro sob o título Furriel não é Nome de Pai: Os filhos que os militares portugueses deixaram na Guerra Colonial. Um livro de não-ficção que reúne inúmeros testemunhos de homens e mulheres que nasceram de uma relação entre um militar português e uma mulher africana, entre 1961 e 1974, muitos deles abandonados pela figura paterna e rejeitados, na infância, pela comunidade. Através da imersão, observação e entrevista, Catarina Gomes conta as histórias dos «restos de tuga» ou «filhos do vento», sobreviventes «incompletos», «meias pessoas». A voz autoral e a vontade de resgatar do esquecimento e do desconhecimento os filhos daqueles que ainda hoje choram a orfandade paterna concede a Catarina Gomes um lugar no Jornalismo Literário. A obra evidencia a necessidade de políticas de reparação, apoio social, inclusão, memória, igualdade de género e acesso à informação e justiça para lidar com as consequências dessas situações históricas.
Fields of Study & Subjects
Literature
Film
and Journalism Analysis
Journalism and Media Studies
Culture
and Criticism
Publication details
- Journal / source
- TSN Transatlantic Studies Network
- Issue
- 19
- Pages
- 104–112
- Publication date
- 14 January 2026
- Language
- PT