HÁ MAIS NO VER DO QUE CHEGA AOS OLHOS
Abstract
O artigo analisa o debate filosófico sobre a relação entre observação e teorização na ciência, com ênfase na defesa de Norwood R. Hanson da tese da impregnação teórica da observação. Inicialmente, apresenta-se a concepção tradicional segundo a qual a observação constitui uma base neutra e objetiva para a confirmação de teorias científicas. Associada à abordagem causal da percepção, essa visão entende a observação como um processo passivo e direto, no qual diferentes observadores registram os mesmos dados sensoriais diante de um mesmo fenômeno, divergindo apenas em etapas posteriores de interpretação. Em contraposição, o texto examina as críticas de Hanson, que rejeita a separação entre observação e interpretação, ao sustentar que toda observação é inevitavelmente carregada de pressupostos teóricos, sendo corretamente descrita como um ver-como. A impregnação teórica estende-se também aos relatos observacionais, os quais pressupõem teorias para sua compreensão. Por fim, o artigo discute respostas contemporâneas à tese de Hanson a partir de uma abordagem naturalista, destacando contribuições de Peter Godfrey-Smith, Jerry Fodor e Zenon Pylyshyn.
Fields of Study & Subjects
Philosophy
Science
and History
Philosophy and History of Science
Epistemology
Ethics
and Metaphysics
Publication details
- Journal / source
- Cadernos do PET Filosofia
- Volume
- 16
- Issue
- 32
- Pages
- 68–80
- Publication date
- 30 January 2026