Violência, parentalidade e saúde mental materna e infantil

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Authors: Elisa Rachel Pisani Altafim
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Abstract

A parentalidade positiva envolve a habilidade dos cuidadores de responder de forma sensível, consistente e apropriada às necessidades da criança, promovendo vínculos afetivos seguros, oferecendo oportunidades de aprendizagem e assegurando proteção contra diferentes formas de violência e negligência (Altafim et al., 2023). Em contextos nos quais essas habilidades parentais são desafiadas por adversidades, como a violência, os riscos ao bem-estar de cuidadores e crianças tendem a se intensificar. A violência contra crianças e adolescentes constitui um desafio persistente e global, com repercussões na saúde mental e no desenvolvimento humano, além de estar associada a custos sociais e econômicos relevantes ao longo do ciclo de vida (United Nations, 2025). A America Latina figura entre as mais afetadas pela violência no mundo, com elevados índices de criminalidade, violência urbana e instabilidade social (Institute for Economics & Peace, 2023). O Brasil, como um dos países mais populosos da região, oferece um panorama relevante para a compreensão das relações entre violência, parentalidade e saúde mental. Evidências provenientes de inquéritos no país e estudos longitudinais indicam que uma parcela expressiva da violência contra crianças ocorre no contexto familiar (Linhares et al., 2023; IBGE, 2022). A pesquisa Primeira Infância para Adultos Saudáveis (PIPAS), realizada em capitais brasileiras, revelou que os cuidadores utilizam práticas parentais negativas com as crianças, como o uso de gritos (33%) e palmadas (35%) (Ministério da Saúde & Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, 2023). Resultados convergentes são observados na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, na qual mais de um quarto dos estudantes (27,5%) do 9º ano relataram agressões físicas praticadas por pais, mães ou responsáveis nos 30 dias anteriores à recolha de dados. (IBGE, 2022). A literatura científica demonstra que a exposição à violência tem impactos na saúde mental e no desenvolvimento infantil. Uma pesquisa verificou maior prevalência de sintomas clínicos de saúde mental entre crianças e adolescentes com histórico de violência (Hildebrand et al., 2019). A violência comunitária, como homicídios ocorridos nas proximidades da residência, esteve associada a pior autorregulação, mais problemas comportamentais e desempenho inferior no desenvolvimento infantil em crianças de 3 anos (McCoy et al., 2024). Em adolescentes, a vivência de bullying, violência escolar e violência comunitária foi associada a maiores níveis de depressão, ansiedade e comportamentos de autoagressão (Quinlan-Davidson et al., 2021). Por outro lado, o apoio social, especialmente o suporte parental, emerge como um fator protetivo capaz de mitigar os efeitos da violência sobre a saúde mental dos jovens (Quinlan-Davidson et al., 2021). Esses achados reforçam a importância de políticas públicas que considerem o território e a segurança como componentes centrais da promoção do desenvolvimento infantil.

Fields of Study & Subjects

Child Abuse and Trauma Intimate Partner and Family Violence Homicide Infanticide and Child Abuse

Publication details

Journal / source
Revistas SARC
Publication date
5 January 2026
Language
PT