NARRATIVAS DO FANTÁSTICO E AUTORITARISMO NA OBRA DE CAIO FERNANDO ABREU
Abstract
Este artigo objetiva investigar as imagens insólitas e desencadeadoras do efeito de estranhamento no conto “O mar mais longe que vejo” publicado na coletânea Inventário do ir-remediável (1970) de Caio Fernando Abreu. Na narrativa, há a sobreposição de planos que desencadeia visões alucinatórias de uma personagem que aparentemente encontra-se exilada em uma praia e sofre constantes alucinações e episódios de violência. Como não pode evitar fisicamente essas torturas, passa a imaginar e relembrar momentos de paz e tranquilidade, em que se via em segurança e em contato com a natureza. Desse modo, o poder que as imagens mentais possuem, mesmo em situações de caos e perturbação, são fundamentais para deixar esse momento de intensa violência menos doloroso e angustiante. O conto é uma excelente amostra das configurações das narrativas fantásticas brasileiras produzidas sobretudo no período do regime militar brasileiro, uma vez que tais recursos estéticos remetem às experiências de choque, o que repercute na demonstração de sentimentos de perturbação e de estranhamento. Nesse contexto, as ações insólitas evidenciam a estranheza e o mal-estar coletivo e soa como forma de transgressão e de desobediência. Como aporte teórico apresentaremos as considerações de Ceserani (2006), Roas (2011, 2014), Freud (2019), Eurídice Figueiredo (2017), Regina Dalcastagnè (1996, 2017), além de perspectivas latino-americanas do fantástico, como Campra (2008) e Barrenechea (1972).
Fields of Study & Subjects
Latin American Literature Analysis
Literature
Culture
and Criticism
Utopian
Dystopian
and Speculative Fiction
Publication details
- Journal / source
- Revista de Letras Norte mentos
- Volume
- 19
- Issue
- 56
- Pages
- 332–345
- Publication date
- 31 January 2026