A FILHA PERDIDA DE ELENA FERRANTE
Abstract
O artigo analisa o romance A filha perdida, de Elena Ferrante, à luz dos conceitos de cultura, opressão e classe, com foco na subversão do mito do instinto materno. A narrativa de Leda, protagonista que decide viver temporariamente afastada das filhas, evidencia as ambivalências da maternidade e desafia a idealização cultural da mãe abnegada. Utilizando teorias de autoras como Simone de Beauvoir (2019) bell hooks (2015) e Silvia Federici (2021), o estudo propõe que a maternidade, tradicionalmente romantizada, também opera como instrumento de opressão, ao impor papéis de gênero e funções sociais restritivas às mulheres. Através da análise literária, o artigo evidencia como Ferrante tensiona a noção de instinto materno, revelando sua construção cultural e seus impactos sobre o desejo feminino, a autonomia e a subjetividade. Ao destacar o alívio de Leda frente à ausência das filhas, a obra revela contradições do modelo tradicional de maternidade e oferece à literatura um espaço para narrativas alternativas e mais complexas sobre o feminino.
Fields of Study & Subjects
Gender and Feminist Studies
Literary Theory and Cultural Hermeneutics
Simone de Beauvoir and Sartre
Publication details
- Journal / source
- Revista de Letras Norte mentos
- Volume
- 19
- Issue
- 56
- Pages
- 346–363
- Publication date
- 31 January 2026