Legado Roubado. As Origens Egípcias da Filosofia Ocidental (Cap. II e III)

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Authors: Rafael Lucas de Lima
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Abstract

Com esta publicação, dou continuidade ao meu projeto de traduzir integralmente o livro Stolen Legacy: The Egyptian Origins of Western Philosophy (Legado Roubado: As Origens Egípcias da Filosofia Ocidental), publicado em 1954 pelo historiador e professor estadunidense George Granville Monah James (1893-1956). O objetivo principal de James em Stolen Legacy é bastante polêmico, posto que consiste em denunciar o que ele compreendia como um roubo, ou, no mínimo, como uma apropriação indevida da filosofia egípcia pelos gregos, que levaram todo o crédito como supostos criadores desse modo de pensar e de viver. A tradução da obra de James justifica-se, dentre outros motivos, pela ausência de uma tradução mais cuidadosa da mesma em português, assim como por sua importância nos estudos sobre história da filosofia, descolonização e sobre as relações entre saber, poder e narrativa histórica. O livro Stolen Legacy está dividido em dez partes, sendo uma Introdução e nove capítulos. Decidi publicar a tradução dessa obra de duas em duas partes, de modo que, nesta publicação, o leitor encontrará os capítulos II e III; as duas primeiras partes, a Introdução e o capítulo I, publiquei na revista Re(senhas) (v. 2, n. 1, 2025). Aliás, remeto o leitor a essa publicação, a fim de que realize, em particular, a leitura do meu Prefácio, no qual abordo algumas questões importantes (como o caráter profundamente questionável da tese da origem egípcia da filosofia, ou os problemas concernentes ao uso e à indicação das referências utilizadas por James, ou, enfim, minhas opções de tradução) as quais, para evitar ser repetitivo, deixo de lado aqui. De minha parte, não pretendo aderir às ideias de James, nem mesmo refutá-las, mas tão somente disponibilizar ao público uma tradução crítica do texto, o qual, como o leitor perceberá por si mesmo, foi escrito num tom decididamente polêmico. Nos Capítulos II e III, aqui publicados, os quais não são introdutórios, mas centrais no conjunto da obra, James radicaliza sua tese sobre a origem egípcia da filosofia, que teria sido roubada pelos gregos, depois de um longo período em que esses tentaram aprendê-la, sem sucesso, pois sua iniciação havia sido negada; amplia generalizações históricas, muitas vezes, de modo bastante frágil, com base em argumentos que mais parecem truísmos; e consolida sua narrativa sobre a transmissão do saber egípcio para diferentes povos do mundo antigo, em especial, para os gregos, por meio de escolas (ou lojas) de mistérios (ou de sabedoria). Evidenciamos, por fim, nesses capítulos – como, aliás, em toda a obra –, o mesmo descuido, da parte do autor, com relação à informação adequada das fontes consultadas e citadas; o mesmo uso de afirmações categóricas, muitas vezes, sem apresentação dos respectivos fundamentos; e uma ênfase, mais retórica do que demonstrativa, dos argumentos.

Fields of Study & Subjects

Classical Philosophy and Thought Ancient Egypt and Archaeology Medieval and Classical Philosophy

Publication details

Journal / source
Revista Cacto - Ciência Arte Comunicação em Transdisciplinaridade Online
Volume
6
Issue
1
Pages
e26013–e26013
Publication date
29 January 2026