Ler e poder: debate sobre a educação popular nas primeiras décadas do século XX
Abstract
A utilização política da escola como instrumento de controlo de massas é um fenómeno moderno, correspondendo a um determinado estádio de evolução do capitalismo. Como se verá, no Portugal das primeiras décadas do século, muitos duvidavam ainda das vantagens de mandar o povo à escola. No interior do que era, provavelmente, a fracção mais coesa das classes dominantes - a burguesia rural - ainda se encontrava quem defendesse o analfabetismo total como o melhor meio de assegurar a estabilidade social; havia, no entanto, também quem considerasse ser necessário utilizar a escola como um meio de «civilizar» as massas trabalhadoras e de difundir a ideologia salazarista. Analisar este debate sobre a instrução popular (debate cuja natureza fundamentalmente ideológica a autora começa por recordar) é o objectivo deste artigo que se apresenta dividido em três partes: na primeira são analisadas as atitudes em relação à instrução do povo, sendo focadas não apenas as estratégias oficiais, como também as atitudes populares; na segunda é descrito o debate sobre a «escola única», que levanta questões interessantes relativamente ao papel da escola na democratização da sociedade; finalmente, numa terceira parte, resumem-se as controvérsias sobre a «escola neutra», assim como os debates em torno do controlo do sistema educacional, aspectos que permitirão detectar as atitudes face ao Estado por parte dos diversos intervenientes.
Fields of Study & Subjects
Historical Education and Society
History of Education in Spain
History of Education Research in Brazil
Publication details
- Journal / source
- Scientific Repository of Open Access of Portugal (RCAAP)
- Publication date
- 15 February 2026
- Language
- PT