corpo ideal líquido
Abstract
O presente artigo analisa o corpo como expressão simbólica das contradições da modernidade líquida e como instrumento de controle na cultura do desempenho. Parte-se da compreensão de que, em um contexto de fluidez e instabilidade, o corpo torna-se um território de visibilidade e poder, no qual o valor do sujeito é medido pela aparência e pela produtividade. O estudo, de caráter teórico e interdisciplinar, dialoga com autores como Bauman, Han, Foucault, Bourdieu, Le Breton e Lipovetsky, a fim de compreender como o ideal de magreza e eficiência física reflete a lógica neoliberal de autogestão e de vigilância interiorizada. As “canetas para emagrecer” e outras práticas de medicalização do corpo são interpretadas como metáforas de um tempo que confunde saúde com mérito e cuidado com controle. Observa-se que a estetização da vida, sob o discurso do bem-estar, oculta processos de exclusão e desigualdade, sobretudo em relação aos corpos femininos, racializados e periféricos. Argumenta-se que o corpo deixou de ser espaço de experiência sensível para tornar-se projeto técnico e mercadoria simbólica. Ao final, defende-se a necessidade de ressignificar o corpo como território de presença, afeto e alteridade, rompendo com a lógica performática que reduz a existência ao parecer. O artigo propõe, assim, uma leitura crítica e humanizadora do corpo contemporâneo, entendendo-o não como produto de consumo, mas como lugar de sentido, vulnerabilidade e liberdade.
Fields of Study & Subjects
Zygmunt Bauman's Sociology
Foucault
Power
and Ethics
Corporeality
Perception
and Education
Publication details
- Journal / source
- Periagoge
- Volume
- 8
- Issue
- 1
- Publication date
- 13 February 2026
- Language
- PT