corpo ideal líquido

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Authors: Edinaldo Enoque da Silva, Débora Viana de Souza, Jenerton Arlan Schütz
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Abstract

O presente artigo analisa o corpo como expressão simbólica das contradições da modernidade líquida e como instrumento de controle na cultura do desempenho. Parte-se da compreensão de que, em um contexto de fluidez e instabilidade, o corpo torna-se um território de visibilidade e poder, no qual o valor do sujeito é medido pela aparência e pela produtividade. O estudo, de caráter teórico e interdisciplinar, dialoga com autores como Bauman, Han, Foucault, Bourdieu, Le Breton e Lipovetsky, a fim de compreender como o ideal de magreza e eficiência física reflete a lógica neoliberal de autogestão e de vigilância interiorizada. As “canetas para emagrecer” e outras práticas de medicalização do corpo são interpretadas como metáforas de um tempo que confunde saúde com mérito e cuidado com controle. Observa-se que a estetização da vida, sob o discurso do bem-estar, oculta processos de exclusão e desigualdade, sobretudo em relação aos corpos femininos, racializados e periféricos. Argumenta-se que o corpo deixou de ser espaço de experiência sensível para tornar-se projeto técnico e mercadoria simbólica. Ao final, defende-se a necessidade de ressignificar o corpo como território de presença, afeto e alteridade, rompendo com a lógica performática que reduz a existência ao parecer. O artigo propõe, assim, uma leitura crítica e humanizadora do corpo contemporâneo, entendendo-o não como produto de consumo, mas como lugar de sentido, vulnerabilidade e liberdade.

Fields of Study & Subjects

Zygmunt Bauman's Sociology Foucault Power and Ethics Corporeality Perception and Education

Publication details

Journal / source
Periagoge
Volume
8
Issue
1
Publication date
13 February 2026
Language
PT