Jacques Derrida e a fenomenologia de Husserl

Read full text
Authors: Janilce Silva Praseres
Cited by: 0

Abstract

Principal representante da desconstrução Jacques Derrida (1930-2004) realizou uma leitura crítica da fenomenologia de Edmund Husserl, destacando suas aporias internas e reconfigurando as bases de questões fundamentais relacionadas à linguagem, à temporalidade e à subjetividade. A partir da obra A voz e o fenômeno de 1967, busca-se compreender como Derrida desenvolve uma análise rigorosa das noções husserlianas de consciência, presença e significado, formulando uma crítica que é ao mesmo tempo uma releitura inovadora. Husserl buscava estabelecer uma ciência rigorosa da experiência, centrada na intuição das essências dos fenômenos tal como aparecem à consciência. Derrida confronta diretamente esses pressupostos husserlianos, propondo que a fenomenologia não consegue escapar da mediação da linguagem e do tempo, o que impede o acesso a uma “origem pura” ou “presença plena”. Procuramos, assim, destacar os pontos principais dessa crítica. A crítica derridiana em A Voz e o Fenômeno não é uma rejeição da fenomenologia, mas uma radicalização de suas questões centrais, demonstrando que a busca de Husserl pela presença plena é inviável porque o significado está sempre mediado pela linguagem, pelo tempo e pela diferença. Assim, Derrida inaugura um novo campo de pensamento que questiona as bases metafísicas do ocidente e redefine os modos como entendemos linguagem, temporalidade e subjetividade.

Fields of Study & Subjects

Philosophy Ethics and Existentialism Phenomenology and Existential Philosophy Hermeneutics and Narrative Identity

Publication details

Journal / source
Griot Revista de Filosofia
Volume
26
Issue
1
Pages
155–165
Publication date
28 February 2026
Language
PT