Migrânea Vestibular: Desafios diagnósticos, bases fisiopatológicas e avanços na abordagem terapêutica

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Authors: Fernanda Gabrielle Ribeiro, Carolina Pinheiro, Francisco Breno Gomes Filgueiras, Gabriela Maia Marsala, Marcela Veríssimo Santos de Almeida
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Abstract

A migrânea vestibular é atualmente reconhecida como a principal causa de vertigem episódica recorrente, representando um importante desafio diagnóstico na prática neurológica e otoneurológica. Apesar de sua elevada prevalência, a condição permanece amplamente subdiagnosticada, sobretudo em razão da expressiva heterogeneidade clínica e da ausência de marcadores laboratoriais ou de imagem específicos. Os pacientes podem apresentar vertigem, tontura, instabilidade postural, zumbido, plenitude auricular e hipersensibilidade sensorial, com ou sem associação temporal com a cefaleia migranosa, o que contribui para frequentes equívocos diagnósticos e atraso no tratamento. Nesse cenário, a distinção entre migrânea vestibular e outras desordens vestibulares, especialmente a doença de Ménière, continua sendo um dos principais entraves clínicos, exigindo anamnese minuciosa e avaliação criteriosa do padrão dos sintomas. Do ponto de vista fisiopatológico, evidências contemporâneas indicam que a migrânea vestibular decorre de uma disfunção central complexa, envolvendo o sistema trigeminovascular, mecanismos de sensibilização central e alterações funcionais nos circuitos vestíbulo-talâmico-corticais. Esses mecanismos explicam não apenas a variabilidade das manifestações vestibulares, mas também a coexistência de sintomas auditivos e perceptuais, reforçando o conceito de que a doença extrapola a vertigem isolada. Avanços em estudos funcionais têm ampliado a compreensão da integração sensorial alterada nesses pacientes, contribuindo para uma visão mais abrangente da condição. Em relação à abordagem terapêutica, observa-se uma evolução progressiva em direção a estratégias individualizadas, que combinam tratamento farmacológico e intervenções não farmacológicas. Medicamentos tradicionalmente utilizados na profilaxia da migrânea permanecem como base do manejo, enquanto a reabilitação vestibular, as modificações do estilo de vida e a educação do paciente assumem papel complementar relevante. Dessa forma, a compreensão integrada dos desafios diagnósticos, das bases fisiopatológicas e dos avanços terapêuticos é fundamental para otimizar o manejo clínico da migrânea vestibular, reduzir seu impacto funcional e melhorar a qualidade de vida dos indivíduos acometidos.

Fields of Study & Subjects

Vestibular and auditory disorders Hearing Cochlea Tinnitus Genetics Trigeminal Neuralgia and Treatments

Publication details

Journal / source
Brazilian Journal of Health Review
Volume
9
Issue
1
Pages
e84977–e84977
Publication date
8 January 2026