GODINHO, Paulo Reis – Apríngio de Beja: guerreiro da fé

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Authors: Antonio Montes Moreira
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Abstract

Recensões «Apríngio, bispo da Igreja Pacense das Hispânias, eloquente no uso da língua e erudito no saber, interpretou o Apocalipse do Apóstolo João com subtileza e estilo brilhante, quase melhor do que parece terem-no feito os antigos comentadores eclesiásticos.Escreveu ainda outras obras que, todavia, chegaram a nossos olhos apenas em mínima parte.Brilhou no tempo de Têudis, príncipe dos Godos».Esta informação do De viris illustribus de Isidoro de Sevilha ( †636) é o único testemunho da época patrística acerca de Apríngio, bispo de Beja no reinado de Têudis (531-548).A presente dissertação académica amplia a notícia de Isidoro com dois capítulos de enquadramento histórico e outros dois para apresentação de Apríngio e da sua obra doutrinal e ação pastoral.No cap.I, intitulado A cristianização do território a sul do Tejo, o autor começa por anotar judiciosamente que Apríngio é o primeiro bispo «conhecido» (p.27) de Beja, a Pax Julia romana e visigótica, mas não de certeza o seu primeiro bispo.Em seguida, apoiado em abundante bibliografia passa em revista a organização administrativa da Hispânia até ao século VI, a implantação e desenvolvimento do Cristianismo na região durante o mesmo período e, no mundo cristão, os conflitos entre ortodoxia e heresias.Nos quatro primeiros séculos a Hispânia esteve unificada no âmbito do império romano e com a reforma administrativa do imperador Diocleciano, entre 284/288, passou a constar de cinco províncias: Tarraconense, Cartaginense, Bética, Galécia e Lusitânia.Em 409 foi invadida pelos vândalos, alanos e suevos.O império, muito enfraquecido após o saque de Roma pelo visigodo Alarico em 410, extinguiu-se no Ocidente com a deposição do último imperador em 476.Ainda na primeira metade do século V os suevos formaram um reino na Galécia, com sede em Braga, que veio a estender-se à Lusitânia, Bética e Cartaginense.Em meados do século V também os visigodos se estabeleceram no território hispânico.Em meados do século VI Justiniano, imperador romano do Oriente, enviou expedições à África, Itália e Hispânia para refazer o império do Ocidente e ocupou grande parte do sul da Península Ibérica até ao Algarve.Em 585 os visigodos conquistaram o reino suevo e em 624 expulsaram as tropas bizantinas.Deste modo, a Hispânia voltou a ficar unificada.Os primeiros dados seguros sobre a presença de comunidades cristãs na Hispânia, mas sem mencionar a sua localização, datam de finais do século II com os testemunhos de Santo Irineu de Lião e de Tertuliano.Em 254 uma carta de S. Cipriano de Cartago dá a conhecer a existência de dioceses em Leão-Astorga (Galécia), Mérida (Lusitânia), Saragoça (Tarraconense) e noutros lugares não designados.No concílio de Elvira a Igreja hispânica aparece já solidamente organizada.Participaram 19 bispos e 24 presbíteros de cerca de 40 comunidades, entre os quais os bispos de Mérida, Ossónoba (Faro) e Évora, na Lusitânia.Sobre a data do concílio, o autor indica 300/303 (p.51), antes da perseguição de Diocleciano.É de preferir

Fields of Study & Subjects

Catholicism and Religious Studies Biographical and Historical Analysis Medieval and Early Modern Iberia

Publication details

Journal / source
Lusitânia sacra
Publication date
14 January 2026
Language
PT