Revue de l’Histoire des Religions: NEOI: Des hommes nouveaux dieux entre Grèce et Rome / NEOI: Men new gods between Greece and Rome. 240: 4 (2023)

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Authors: Nuno Simões Rodrigues
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Abstract

A publicação do quarto fascículo do tomo 240 da Revue de l'histoire des religions oferece ao leitor um conjunto de cinco textos dedicados à religião no mundo greco-romano, mais especificamente ao tema dos deuses neoi, i.e., «os novos», como são os homens divinizados entre Gregos e Romanos.Com efeito, um dos processos bem conhecidos no universo religioso greco-romano, desde pelo menos o período arcaico grego (sécs.VIII-VI a.C. ) é o da divinização de indivíduos que por alguma razão meritória para a polis se tenham destacado.O processo parece ter sido comum no mundo desportivo (Píndaro dá bem conta desse fenómeno de culto dos heróis vencedores dos jogos), mas, sobretudo a partir dos tiranicidas de Atenas (final século VI a.C. ), parece ter-se alargado ao universo político também.Não será demais recordar que os tiranicidas, Aristogíton e Harmódio, terão sido os primeiros homens conhecidos a angariar o direito a ter uma estátua e até veneração e culto público em Atenas.A este processo não será ainda estranha a leitura evemerista do mito, que considera a possibilidade de heróis e até mesmo deuses do sistema mítico-religioso dos Gregos assentar na ideia de divinização de seres humanos e correspondente transferência para o domínio do subconsciente coletivo.Acresce ainda o processo de apoteose, associado a algumas figuras dos panteões greco-romanos, como Héracles / Hércules, em que a ideia de theos neos se impõe por definição.Fica assim claro que o tema dos neoi é de importância maior no contexto das religiões grega e romana, justificando-se em pleno o dossier que este fascículo a Revue de l'histoire des religions lhe dedica, ainda que se foque sobretudo no período helenístico.O primeiro dos estudos aqui reunidos, da autoria de A.-F. Jaccottet e S. Wyler, «NEOI: Des hommes nouveaux dieux entre Grèce et Rome.Quelques réflexions en guise d'introduction» (p.563-575), tem o mérito de apresentar e abordar questões essencialmente metodológicas, centrando o epíteto de neos, sobretudo quando aplicado a monarcas helenísticos, como os Ptolemeus.O caso de neos Dionysos é, nesse sentido, paradigmático, pelo que é também o exemplo imediatamente trazido à colação por parte das AA.O estudo de Jaccottet e Wyler tem o mérito de fornecer um enquadramento teórico substancial e bem alicerçado, podendo ser futuramente utilizado por quaisquer investigadores que pretendam dedicar-se ao tema.De certo modo, este artigo introdutório funciona como enquadramento teórico dos quatro estudos de caso que se sucedem.O segundo texto, «Neos Dionysos.Développement et sens d'une formule "à la mode"», da autoria de A.-F. Jaccottet (p.577-605), confirma as considerações anteriores, por distinguir o caso de «Novo Dioniso», aplicado a Ptolemeu XIII em 64/3 a.C., como titulatura honorífica.A análise de Jaccottet passa sobretudo pelas questões de forma, do uso dos epítetos religiosos, mas naturalmente não deixa de inquirir as implicações que tais fórmulas têm nos Revue de l'Histoire des Religions: NEOI: Des hommes nouveaux dieux entre Grèce et Rome / NEOI: Men new gods between Greece and Rome.

Fields of Study & Subjects

Classical Antiquity Studies Classical Philosophy and Thought Historical Religious and Philosophical Studies

Publication details

Journal / source
Lusitânia sacra
Publication date
14 January 2026
Language
PT