Anestesia em Pacientes com Obesidade Mórbida (IMC > 50): Manejo da Via Aérea Difícil, Ajustes Farmacológicos e Riscos Perioperatórios

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Authors: Ruben Enrique Flores Mamani, RAMYLLA DE OLIVEIRA FALCÃO, Mariana Soares Martins, Rodrigo Dias Pollo, Maria Fernanda Castilho Rubira, Izaque Benedito Miranda Batista, João Pedro Magalhães Albieri, Diego Denner Dias Pinto, Simão Pedro Melo Da Luz, Josiele da Silva Mozzaquatro, Rafaela Gregolin Stoker, Isadora Gonçalves Dias
+2 more Weslly Jonas Severo da Silva, Marcella Lima Guimarães Dos Santos
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Abstract

Introdução: A obesidade mórbida, definida por índice de massa corporal superior a 40 kg/m², e em especial a obesidade extrema com IMC maior que 50 kg/m², representa um desafio crescente para a prática anestesiológica. Esses pacientes apresentam alterações anatômicas e fisiológicas significativas que impactam diretamente o manejo da via aérea, a farmacocinética dos anestésicos e o risco de complicações perioperatórias. Redução da complacência pulmonar, diminuição da capacidade residual funcional, apneia obstrutiva do sono e maior prevalência de comorbidades cardiovasculares aumentam a complexidade do cuidado anestésico. Dessa forma, o planejamento criterioso e a atuação baseada em evidências tornam-se fundamentais para a segurança do procedimento. Objetivo: Analisar os principais aspectos relacionados ao manejo da via aérea difícil, aos ajustes farmacológicos e aos riscos perioperatórios em pacientes com obesidade mórbida submetidos à anestesia, com base em diretrizes de sociedades médicas e literatura científica de referência. Metodologia: Trata-se de um artigo de revisão narrativa, fundamentado em diretrizes da Sociedade Brasileira de Anestesiologia, da American Society of Anesthesiologists e em estudos clínicos relevantes publicados em periódicos de alto impacto. Foram priorizados documentos que abordam especificamente obesidade mórbida, anestesia geral e segurança perioperatória, com foco em pacientes com IMC superior a 50 kg/m². Discussão e Resultados: O manejo da via aérea é um dos pontos críticos nesses pacientes, devido à limitação da mobilidade cervical, aumento de tecidos moles e menor tolerância à apneia. Estratégias como posicionamento em rampa, pré-oxigenação otimizada e uso precoce de dispositivos avançados são recomendadas. Do ponto de vista farmacológico, a obesidade altera o volume de distribuição e o clearance dos fármacos, exigindo individualização das doses, com base no peso ideal, peso ajustado ou peso total, conforme o medicamento. No período perioperatório, observa-se maior risco de hipoxemia, eventos tromboembólicos, complicações respiratórias e prolongamento da recuperação anestésica, reforçando a importância da monitorização rigorosa e do cuidado multidisciplinar. Conclusão: A anestesia em pacientes com obesidade mórbida extrema demanda abordagem especializada, planejamento antecipado e conhecimento aprofundado das particularidades fisiológicas dessa população. O manejo adequado da via aérea, o ajuste criterioso das doses anestésicas e a vigilância intensiva no perioperatório são determinantes para a redução de complicações e para a melhoria dos desfechos clínicos.

Fields of Study & Subjects

Healthcare Regulation Cardiac Anesthesia and Surgical Outcomes Nutrition and Health in Aging

Publication details

Journal / source
Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences
Publisher
Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences
Volume
8
Issue
1
Pages
27–41
Publication date
2 January 2026