Anestesia em Pacientes com Obesidade Mórbida (IMC > 50): Manejo da Via Aérea Difícil, Ajustes Farmacológicos e Riscos Perioperatórios
Abstract
Introdução: A obesidade mórbida, definida por índice de massa corporal superior a 40 kg/m², e em especial a obesidade extrema com IMC maior que 50 kg/m², representa um desafio crescente para a prática anestesiológica. Esses pacientes apresentam alterações anatômicas e fisiológicas significativas que impactam diretamente o manejo da via aérea, a farmacocinética dos anestésicos e o risco de complicações perioperatórias. Redução da complacência pulmonar, diminuição da capacidade residual funcional, apneia obstrutiva do sono e maior prevalência de comorbidades cardiovasculares aumentam a complexidade do cuidado anestésico. Dessa forma, o planejamento criterioso e a atuação baseada em evidências tornam-se fundamentais para a segurança do procedimento. Objetivo: Analisar os principais aspectos relacionados ao manejo da via aérea difícil, aos ajustes farmacológicos e aos riscos perioperatórios em pacientes com obesidade mórbida submetidos à anestesia, com base em diretrizes de sociedades médicas e literatura científica de referência. Metodologia: Trata-se de um artigo de revisão narrativa, fundamentado em diretrizes da Sociedade Brasileira de Anestesiologia, da American Society of Anesthesiologists e em estudos clínicos relevantes publicados em periódicos de alto impacto. Foram priorizados documentos que abordam especificamente obesidade mórbida, anestesia geral e segurança perioperatória, com foco em pacientes com IMC superior a 50 kg/m². Discussão e Resultados: O manejo da via aérea é um dos pontos críticos nesses pacientes, devido à limitação da mobilidade cervical, aumento de tecidos moles e menor tolerância à apneia. Estratégias como posicionamento em rampa, pré-oxigenação otimizada e uso precoce de dispositivos avançados são recomendadas. Do ponto de vista farmacológico, a obesidade altera o volume de distribuição e o clearance dos fármacos, exigindo individualização das doses, com base no peso ideal, peso ajustado ou peso total, conforme o medicamento. No período perioperatório, observa-se maior risco de hipoxemia, eventos tromboembólicos, complicações respiratórias e prolongamento da recuperação anestésica, reforçando a importância da monitorização rigorosa e do cuidado multidisciplinar. Conclusão: A anestesia em pacientes com obesidade mórbida extrema demanda abordagem especializada, planejamento antecipado e conhecimento aprofundado das particularidades fisiológicas dessa população. O manejo adequado da via aérea, o ajuste criterioso das doses anestésicas e a vigilância intensiva no perioperatório são determinantes para a redução de complicações e para a melhoria dos desfechos clínicos.
Fields of Study & Subjects
Healthcare Regulation
Cardiac
Anesthesia and Surgical Outcomes
Nutrition and Health in Aging
Publication details
- Journal / source
- Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences
- Publisher
- Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences
- Volume
- 8
- Issue
- 1
- Pages
- 27–41
- Publication date
- 2 January 2026