A revolução não faltou ao ensaio: a cegueira branca e o risco do capitalismo atemporal
Abstract
Neste estudo, iremos refletir como José Saramago, sob uma perspectiva marxiana, representa o grupo de cegos protagonizado em Ensaio sobre a cegueira, cegos que passam a viver de uma forma cada vez mais instintiva, a se confundir muitas vezes com o meio de vida dos antigos nômades e caçadores-coletores. Em nossa leitura, trata-se essa estratégia de uma tentativa de Saramago representar não somente um momento regressivo fundamentado na “arracionalidade” humana, mas sobretudo um momento pós-revolucionário com base na noção de “comunidade espontânea” que Marx utiliza para pensar as esferas profissionais das famílias ou tribos pré-capitalistas. Com isso, veremos que a nova sociedade representada no final do romance se vê potencialmente livre das imposições do estado e do mercado, o que convida o leitor a uma retomada utópica a partir da gênese de um novo organismo representado pelo grupo de cegos, nos apontando, assim, para outras formas possíveis de se relacionar em sociedade.
Fields of Study & Subjects
Literature
Culture
and Criticism
Marxism and Critical Theory
Literary Theory and Cultural Hermeneutics
Publication details
- Journal / source
- Convergência Lusíada
- Volume
- 37
- Issue
- 55
- Pages
- 93–128
- Publication date
- 11 January 2026
- Language
- PT