Reinventar futuros: a cidade hostil e um novo flâneur na narrativa portuguesa hipercontemporânea
Abstract
O romance português hipercontemporâneo apresenta, seja formalmente, seja tematicamente, uma série de elementos desafiadores à crítica, que precisa readequar suas ferramentas teóricas de análise. Essas novas obras exigem, como afirmam Alan Shapiro e Ana Paula Arnaut, novos olhares e novas perspectivas de abordagem. Este estudo pretende debater, portanto, um dos tantos eixos que irradiam desse conjunto complexo de textos: a percepção da cidade, do centro urbano, como espaço de esgotamento e de opressão. Essa temática, sabe-se, não é propriamente nova na literatura, mas é evidente a reincidência e a potencialização desse tópico nos textos publicados muito recentemente, em sintonia com a própria percepção da nossa realidade global. Neste sentido, serão resgatados exemplos de obras que se ocupam dessa recorrência e trazem tanto personagens à deriva nas grandes cidades, esmagados pela tecnologia, pela produtividade no trabalho, como o próprio espaço urbano enquanto ambiente nocivo ao humano, em textos de autores como Joana Bértholo, Catarina Gomes, Manuel Bivar, Rui Couceiro, Ivone Mendes da Silva, entre outros. O que emerge nesses textos é uma redefinição da natureza como mecanismo de sobrevivência, acompanhando o advento de um novo tipo de flâneur. Como apoio teórico, serão resgatados autores como Walter Benjamin, Marc Augé, Giles Lipovetsky, Ana Paula Arnaut, Byung-Chul Han, Robert Park, Zygmunt Bauman.
Fields of Study & Subjects
Literature
Culture
and Criticism
Literature and Culture Studies
Spatial and Cultural Studies
Publication details
- Journal / source
- Convergência Lusíada
- Volume
- 37
- Issue
- 55
- Pages
- 185–213
- Publication date
- 11 January 2026
- Language
- PT