O 25 de Abril e a disputa de utopias no campo da cultura: ressignificar o passado para projetar o futuro
Abstract
O objetivo do presente artigo é discutir dois romances contemporâneos – Deixei meu coração em África, publicado por Manuel Arouca em 2005, e O último ano em Luanda, publicado por Tiago Rebelo em 2008. Os dois romances, retirados de um amplo corpora de romances de mesmo estilo publicados desde os anos 2000, são representativos, no campo da cultura do discurso da extrema direita portuguesa de recuperação laudatória do passado colonial e salazarista. O artigo apresenta uma correlação entre esse discurso no campo da cultura e o seu correlato no campo da política partidária contemporânea como sintoma de um panorama de crise civilizacional em que se manifesta uma disputa por futuros, uma atualização das utopias. Nesse sentido, o 25 de Abril é representado como um desvio do verdadeiro rumo da história pátria, reeditando alguns dos mitos de fundamentação ideológica do salazarismo, que demandaria uma correção no presente visando a construção de um futuro novamente idílico. A análise proposta se baseia em teóricos como Fernando Rosas, para pensar o ponto de vista histórico do Estado Novo, Silvio Renato Jorge e Edward Said, para discutir as permanências de um ideário imperial, além de António Pedro Pita e Theodor Adorno, entre outros, para pensar as relações contemporâneas com a crise civilizacional do século XX.
Fields of Study & Subjects
Literature
Culture
and Criticism
Utopian
Dystopian
and Speculative Fiction
Populism
Right-Wing Movements
Publication details
- Journal / source
- Convergência Lusíada
- Volume
- 37
- Issue
- 55
- Pages
- 171–184
- Publication date
- 11 January 2026
- Language
- PT