Os insetos do Novo Mundo e a construção do conhecimento zoológico na Era Moderna
Abstract
Neste capítulo, examinamos como insetos e outros “animais miúdos” do Novo Mundo participaram ativamente da construção do conhecimento zoológico na Era Moderna. Partimos da tradição clássica, sobretudo Aristóteles e Plínio, para evidenciar como categorias como “animais sem sangue”, a scala naturae e a doutrina da geração espontânea estruturaram, por séculos, a inteligibilidade europeia desses seres. Em seguida, acompanhamos cronistas, missionários e colonizadores do século XVI diante da fauna americana, mostrando como clima, umidade, putrefação e ventos foram mobilizados para explicar a proliferação de “sabandijas”, ao mesmo tempo em que observações concretas sobre ovos, larvas, metamorfose e cuidados parentais tensionavam, aqui e ali, o paradigma da abiogênese. Discutimos ainda o peso da retórica colonial e das finalidades práticas dessas descrições — sobrevivência, manejo, prevenção de ataques, ordenação do ambiente — sem reduzir o tema a um utilitarismo imediato. Por fim, situamos a transição do século XVII, marcada por novas obras, pelo microscópio e por controvérsias sobre a geração dos insetos, como etapa decisiva para reconfigurar o lugar epistemológico dessa fauna “miúda” na história natural.
Fields of Study & Subjects
History of Science and Natural History
Historical Philosophy and Science
Diverse Historical and Scientific Studies
Publication details
- Journal / source
- Editora Científica Digital eBooks
- Pages
- 12–40
- Publication date
- 1 January 2026
- Document type
- Book chapter