Incursões pela "arte de governar" a infância pobre em Portugal
Abstract
O propósito deste trabalho consiste na análise, discussão e compreensão do governo da infância pobre em Portugal, na década de 1930. Discute-se essa infância como um problema social e a consequente emergência de ações, saberes e contextos técnico-institucionais – como é o caso do Dispensário de Puericultura de Castelo Branco – no contexto político do Estado Novo português. Através de uma metodologia de natureza qualitativa, convocamos um corpus documental constituído por fontes documentais publicadas e existentes em arquivos pessoais e institucionais, com destaque para a produção científica do diretor do dispensário, o médico José Lopes Dias. O olhar atento, no contexto da modernidade, sobre a infância portuguesa pobre traduz-se na existência de um sistema de poder mais amplo que atuou nos indivíduos através de saberes e instituições criadas para o efeito. Assume-se que essa infância pobre, e suas famílias, deviam ser acompanhadas para evitar desvios sociais e comportamentos errantes numa sociedade que se pretendia de progresso e civilizada. O Dispensário de Puericultura, à semelhança de outros, constituiu um dispositivo ao serviço de um projeto de Estado, no contexto da modernidade, que valorizava a vida e a sua utilidade e produtividade, ampliando a qualidade da população.
Fields of Study & Subjects
Historical Education and Society
History of Medicine and Tropical Health
History of Education Research in Brazil
Publication details
- Journal / source
- Revista Brasileira de História da Educação
- Volume
- 26
- Issue
- 1
- Pages
- e402–e402
- Publication date
- 7 February 2026
- Language
- PT