A obra infinita do testemunho: Notas sobre 'Shoah'
Abstract
Shoah: um filme sobre as palavras sufocadas, sobre os lugares que não se moveram, mas que foi preciso retornar para ouvir e ver o que restou da obra da destruição nazista. Um filme de delicada obstinação, como quem se curva sobre a terra para escutar o que ela guarda em silêncio – os mortos, as cinzas. Quarenta anos depois, suas imagens ainda tremem – ainda nos fazem tremer. Não há arquivos ou dramatização. Sua força micrológica, arqueológica: não busca somente “o que foi” ou “como foi”, mas o que permaneceu do trabalho do extermínio, entre o soterrado e as raízes, entre as pedras e as cinzas. O filme obstinadamente nos convoca a habitar um presente reminiscente, onde o tempo suspendido repete-se em suas fissuras. Nesse filme sem fim, cada retorno é um novo começo – porque o trabalho do testemunho é infinito, frágil, necessário. Como um nome escrito na terra: Shoah. Como um eco que nunca cessa de convocar os mortos – de nos convocar.
Fields of Study & Subjects
Memory
Trauma
and Testimony
Corporeality
Perception
and Education
Death
Funerary Practices
and Mourning
Publication details
- Journal / source
- Alceu
- Volume
- 25
- Issue
- 57
- Pages
- 63–86
- Publication date
- 2 January 2026