GÊNERO E REPRODUÇÃO SOCIAL NO CAPITALISMO PERIFÉRICO: VIOLÊNCIA COMO ESTRUTURA E NÃO EVENTO
Abstract
A violência contra as mulheres no meio rural constitui uma das expressões mais persistentes das desigualdades de gênero no Brasil contemporâneo, intensificada por condições estruturais como isolamento geográfico, precariedade de serviços públicos e dependência econômica. Fundamentado na teoria marxista da dependência e na teoria da reprodução social, a partir das contribuições de Ruy Mauro Marini, Florestan Fernandes e Tithi Bhattacharya, o artigo parte da compreensão de que, no capitalismo periférico, as mulheres são desproporcionalmente responsabilizadas pela reprodução social, cuidados com a família, manutenção dos lares, trabalho comunitário e, simultaneamente, por parcela significativa da produção agrícola familiar. Essa sobreposição de funções constitui a base material sobre a qual se estrutura a violência, produzindo vulnerabilidade econômica, sofrimento psíquico, isolamento social e baixa autonomia, especialmente em municípios de pequeno porte. Metodologicamente, a pesquisa utiliza dados do Índice Mineiro de Responsabilidade Social (IMRS), dos registros da Polícia Militar de Minas Gerais e de diagnósticos estaduais sobre violação de direitos. Os resultados evidenciam que as múltiplas formas de violência física, psicológica e patrimonial operam como mecanismos de controle social, reafirmando hierarquias de gênero e assegurando a continuidade de um modelo de desenvolvimento que naturaliza a desigualdade, a ordem patriarcal e a superexploração da força de trabalho feminina.
Fields of Study & Subjects
Gender
Violence
Rights in Latin America
Intimate Partner and Family Violence
Feminism
and Social Issues
Publication details
- Journal / source
- Revista Desenvolvimento Social
- Volume
- 31
- Issue
- 2
- Publication date
- 24 February 2026
- Language
- PT