Topografias do Sentir: Corpo, Memoria e Vestígio entre Dança, Desenho e Videoarte

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Authors: Ana Margarida Pires, Rita Cândida Marques Gouveia
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Abstract

Este artigo propõe uma reflexão sobre os modos como a criação artística pode funcionar como prática de investigação situada, sensível e crítica. A partir do projeto Topografias do Sentir, desenvolvido no âmbito de um programa de pós-graduação em Educação Artística, numa instituição universitária portuguesa, explora-se a interseção entre corpo, memória e imagem por via da improvisação, do desenho e da composição audiovisual. Ancorado numa metodologia artográfica (Barone & Eisner, 2012), o trabalho desenrola-se como prática de coautoria entre duas linguagens distintas — dança e desenho — convocando a criação partilhada como lugar epistemológico. O vídeo final, com cerca de quatro minutos, resulta da sobreposição de imagens de transição corporal, desenhos sobre papel vegetal e uma paisagem sonora composta com sons corporais e ambientais manipulados digitalmente. O resultado não visa representar um gesto, mas habitá-lo — suspenso entre o que foi e o que poderia ter sido. A proposta dialoga com autores como Didi-Huberman, Lepecki e Rancière, mas também com práticas emergentes de pedagogia artística crítica (Sousa & Aristimuño, 2025). Articula ainda a discussão sobre coautoria, tecnologias acessíveis e desenho como rasto de pensamento encarnado. Alinhando-se com reflexões recentes publicadas na Afluir (Morillo, 2022; Gonçalves, 2023), o artigo propõe que a arte — longe de ser apenas forma — pode ser também dispositivo de escuta, de questionamento e de presença crítica no campo educativo. This article reflects on how artistic creation can operate as a situated, sensitive, and critical mode of inquiry. Drawing on the project Topografias do Sentir, developed within a postgraduate program in Art Education, at a Portuguese University, we explore the intersection of body, memory, and image through improvisation, drawing, and audiovisual composition. Grounded in an a/r/tographic methodology (Barone & Eisner, 2012), this work unfolds as a coauthored practice between two distinct but interwoven languages — dance and drawing — proposing shared creation as an epistemological space. The final video, approximately four minutes long, combines images of bodily transitions, hand-drawn elements on tracing paper, and a soundscape built from manipulated bodily and environmental sounds. The result does not aim to represent a gesture, but rather to inhabit it — suspended between what was and what might have been. This proposal dialogues with authors such as Didi-Huberman, Lepecki, and Rancière, and also with emerging perspectives in critical artistic pedagogy (Sousa & Aristimuño, 2025). It further contributes to discussions on co-authorship, accessible technologies, and drawing as a trace of embodied thinking. In line with recent reflections published in Afluir (Morillo, 2022; Gonçalves, 2023), this article suggests that art — far from being merely form — can serve as a device for listening, questioning, and critical presence within educational contexts.

Fields of Study & Subjects

Artistic and Creative Research Art Education and Development Corporeality Perception and Education

Publication details

Journal / source
Afluir.
Issue
6
Pages
101–111
Publication date
16 February 2026
Language
ES