A Casa de Axé é viva

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Authors: Ana Clara Damásio
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Abstract

Pouco antes da minha feitura, ouvi minha ialaxé dizer que “a casa de axé é viva”. Essa frase germinou em mim como uma semente. Desde então, venho tentando escutar o que ela quer dizer, com o corpo inteiro, como quem escuta tambor. Este ensaio fotoetnográfico nasce dessa escuta sensível, cultivada na experiência cotidiana de uma casa de axé, onde o Candomblé se enraíza e se reinventa a cada dia. Entendo a casa como organismo vivo, campo de forças, construção afetiva e ontológica. A etnografia aqui praticada não é apenas observação: é participação, é desenho, é canto, é gesto. Inspirada por autores como Marcelin (1999), Dumans (2021), Santos (2023), Alvarenga (2017) e Krenak (2022), proponho uma leitura da casa não como imóvel ou propriedade, mas como entidade viva, que respira, chama, repele, exige cuidado. A casa de axé tem corpo, desejo, ética e agência. Ela se faz em rede com ancestrais, com folhas, com lama, com silêncio, com festa. A festa, aliás, é aqui entendida como política radical de celebração da vida. Este ensaio visual desenhado é uma tentativa de traduzir aquilo que o capital não consegue comer: o encantamento, a vibração, o tempo outro. Ao desenhar etnograficamente essa casa, busco registrar o indizível, o sutil, aquilo que escapa à linguagem linear. Cada imagem-legenda propõe um caminho possível de tradução sensível da experiência. Não se trata de ilustração, mas de relação. Cada desenho é parte da casa. Tudo aqui é corpo e é mundo.

Fields of Study & Subjects

Arts and Performance Studies Race Identity and Education in Brazil Posthumanist Ethics and Activism

Publication details

Journal / source
AntHropológicas Visual
Publication date
27 February 2026
Language
PT