RORSCHACH E A FABRICAÇÃO DA SUBJETIVIDADE MODERNA
Abstract
Este artigo buscou analisar o Teste de Rorschach não como instrumento psicométrico, mas como um artefato histórico-cultural ativo na construção da subjetividade moderna. Mediante uma revisão bibliográfica qualitativa e análise crítico-interpretativa, fundamentada em autores como Foucault e Hacking, o estudo examina o contexto intelectual (psiquiatria, psicanálise, modernismo) que tornou possível e desejável a crença em que manchas de tinta poderiam revelar o íntimo. Os resultados evidenciam que o teste opera em um paradoxo fundamental entre hermenêutica e positivismo, e que sua persistência deve-se menos à validade empírica e mais à sua potência como dispositivo narrativo e “tecnologia do eu”. Conclui-se que o Rorschach não refletiu, mas fabricou um sujeito psicológico dotado de profundidade interpretável, oferecendo uma lente crítica para questionar os fundamentos das práticas psicológicas contemporâneas.
Fields of Study & Subjects
Psychology and Mental Health
Psychological Testing and Assessment
Psychological Treatments and Disorders
Publication details
- Journal / source
- Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação
- Volume
- 12
- Issue
- 1
- Pages
- 01–16
- Publication date
- 7 January 2026