amizade como resistência:
Abstract
O artigo analisa a noção de amizade em Étienne de La Boétie e Benedictus de Spinoza como alternativa ética e política às relações de servidão. Em La Boétie, a amizade é apresentada no Discurso da Servidão Voluntária como vínculo entre iguais que preservam a memória da liberdade, contrapondo-se às relações servis que sustentam o poder do tirano. A amizade, segundo ele, deve basear-se na reciprocidade e na virtude, e não em idolatria ou submissão, pois quando ultrapassa seus limites, contribui para a constituição da tirania. Spinoza, por sua vez, compreende a amizade como um afeto alegre que fortalece os homens por meio da razão e da utilidade comum. A amizade spinozana se funda na firmeza e na generosidade: a primeira, voltada à conservação racional de si; a segunda, ao auxílio mútuo e à união entre os semelhantes. O artigo propõe, assim, uma leitura comparada entre os dois autores, destacando como a amizade pode operar como uma forma de resistência ativa contra a dominação e um fundamento positivo da liberdade coletiva.
Fields of Study & Subjects
Seventeenth-Century Political and Philosophical Thought
Rousseau and Enlightenment Thought
Nietzsche
Schopenhauer
and Hegel
Publication details
- Journal / source
- Revista Conatus - Filosofia de Spinoza
- Volume
- 17
- Issue
- 28
- Pages
- 69–73
- Publication date
- 4 January 2026