Regimes de verdade e identidade regional: o Dispositivo Estadual de Açorianidade em Homens e algas
Abstract
Este artigo analisa os prólogos “Por que publiquei Homens e algas?” e “Homens e algas”, de Othon Gama D’Eça (2008), investigando de que modo o discurso literário participa da construção da identidade açoriana como matriz cultural da Ilha de Santa Catarina. O problema que orienta a pesquisa consiste em compreender como a obra, ao reivindicar compromisso com o “fato” e com a “verdade”, contribui para a produção de um regime de verdade sobre o açorianismo, elevando-o à condição de fundamento identitário. O objetivo é examinar os prólogos como práticas discursivas que integram o que denominamos Dispositivo Estadual de Açorianidade, entendido como rede histórica de saberes, narrativas e institucionalizações que consolidaram o açorianismo como identidade oficial do estado. Metodologicamente, trata-se de uma análise discursiva de inspiração arqueogenealógica, fundamentada em Michel Foucault, mobilizando especialmente as noções de discurso, poder-saber, regime de verdade e dispositivo. Como referencial complementar, dialoga-se com Gilles Deleuze e Félix Guattari e Durval Muniz de Albuquerque Júnior, no que concerne à produção de verdades históricas e à invenção das identidades regionais. A análise demonstra que Homens e algas não apenas preserva uma memória cultural, mas participa ativamente da fabricação simbólica do açorianismo, operando simultaneamente como gesto de fixação identitária e como evidência da precariedade histórica dessa mesma fixação.
Fields of Study & Subjects
Literature
Culture
and Criticism
Foucault
Power
and Ethics
Cultural Identity and Heritage
Publication details
- Journal / source
- Cadernos Cajuína
- Volume
- 11
- Issue
- 3
- Pages
- e2155–e2155
- Publication date
- 26 February 2026
- Language
- PT