'BANDIDO BOM É BANDIDO MORTO': INTERDISCURSO, MEMÓRIA E RECONFIGURAÇÕES DOS DIREITOS HUMANOS NO DISCURSO BOLSONARISTA
Abstract
O presente artigo analisa as disputas de sentido em torno da categoria direitos humanos no discurso bolsonarista, tomando como eixo a reativação de uma memória discursiva associada ao enunciado “bandido bom é bandido morto”. O objetivo é mapear continuidades e rupturas nas formulações discursivas sobre direitos humanos entre os contextos da campanha eleitoral de 2018, o exercício do governo (2019–2022) e o período posterior, marcado por processos judiciais, prisão e mobilização em torno da anistia (2023–2025). A análise fundamenta-se nos pressupostos da Análise do Discurso de orientação francesa, especialmente nas noções de memória discursiva, interdiscurso e formação discursiva. O corpus é composto por pronunciamentos oficiais, declarações públicas, postagens em redes sociais e reportagens da imprensa nacional. Argumenta-se que o bolsonarismo opera um duplo movimento discursivo: em determinados momentos, deslegitima os direitos humanos como defesa de “bandidos”; em outros, passa a reivindicá-los estrategicamente para seus próprios líderes e apoiadores, reinterpretando-os como instrumentos de proteção contra supostos abusos do Estado. O artigo demonstra, assim, que essas disputas discursivas produzem novos regimes de verdade que buscam naturalizar a violência e redefinir categorias jurídicas e morais no interior do debate.
Fields of Study & Subjects
Cultural and political discourse analysis
Populism
Right-Wing Movements
Brazilian Legal Issues
Publication details
- Journal / source
- Zenodo (CERN European Organization for Nuclear Research)
- Publication date
- 16 January 2026